É de pé a olhar para o mar, semi-sozinho, que vejo as tuas vestes pairarem sobre a água como que sustentadas pelo vento, de onde saem palavras talvez inexistentes, talvez apenas assobiadas, contigo longe. E de pé espero que voltes às vestes, que as tuas palavras não sejam tão frias como o mesmo vento que as parece transportar. E espero, sem saber quando irei parar de esperar - e espero, apesar do vento me cofidenciar que queres que eu também parta. Não. Para cada canto onde vou, para cada costa, montanha ou floresta que vá, a cada passo nas ruas da cidade deserta levo o teu fantasma comigo, em silêncio, apenas lá. E se um dia o vento levar até as tuas vestes, o teu fantasma continuará lá. Cúmplice, puro, para sempre minha adversária e minha companheira silenciosa. Mesmo que não espere um retorno, ninguém me pode roubar a memória e um segredo.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
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