sexta-feira, 29 de março de 2013

"Love the prophet, because he loves the sinner.
Love the sinner, because he is you.
Without the sinner, what need is there for a redeemer?
Without sin, what grace has forgiveness?"

terça-feira, 26 de março de 2013

Na Chuva Negra

Chuva negra. Encharcas tanto rascunho, levas tantas palavras pela sarjeta. Um dia davas o peso à tinta para que pudesse assentar no papel, hoje dás o peso à consciência e não a deixas assentar no ser.

Estão de volta aqueles olhos que me fizeste ver, observam-me mudos, e avaliam-me. Fazem convenções em que julgam a moral e desdenham o sentir, e parecem pensar que olho para eles quando na realidade estou a olhar para dentro. Seres tão altos, inatingíveis, fatais. Seres que me policiam tanto que não posso se não soltar pequenos murmúrios. Mas não é disso que me queixo - e a loucura, volta a mim, que me queixo à chuva?


Queixo-me, sim, da inconsistência que deixaste cair sobre mim, em relâmpagos abafados, grandes e fracos. Sinto a garganta obstruída por uma esponja, e, chuva, não tiras a sede. Cegaste tanto a pena que não consigo ferir a língua e com o sangue escrever, cais tão pesada que mal me consigo levantar, e és tanto alcatrão que só consigo pensar em atear-te fogo e levar o mundo comigo. As cinzas serão lama, a lama será terra, e na terra algo florescerá.


E caíste também sobre outras alturas. Que são daqueles olhos? Um daqueles seres fugiu, encontra-se também debaixo da chuva negra, silenciosa, escondida, decerto ocupada e feliz com assuntos mundanos. Os olhos dos outros seres tornaram-se castanhos, as suas mantas estão sujas, e agora cobrem-se por completo, silenciosos mas fracos, envergonhados. Quando a divindade daquela musa mergulhou na terra, as alturas tornaram-se fracas e desrespeitosas, perderam a virtude que se revelava intimadora. E com a ajuda do teu peso, chuva, mergulhou levando com ela o meu alter-ego, preso inadvertidamente na sua perna. Sinto-me efemeramente eterno, preciso do meu eu que odeio e tornar-me nele, o destino roubou-me a alma! Resta-me esperar observando os rios negros de ti, chuva, que o meu alter-ego venha a flutuar por eles abaixo.

"Mas na inocência e frescura desta mente, o que me falta é consciência da realidade, e por isso como sempre deambulo pela noite, arrastando comigo o peso de um fantasma pendurado em mim, os lábios da consciência presos ao meu pescoço tentado-me seduzir apenas para me enganar." Disse-te isto da primeira vez que arrancaste palavras de mim, chuva negra. Mas foi-se a inocência e a frescura. O peso é da consciência, os lábios da imaginação.

Purificarei então, pegarei fogo a tudo, vejamos o que sobra.

sábado, 23 de março de 2013

Mas os navios podem partir, sem rumo, sem mapas, sem estrelas pelas quais se guiar. Há os que encontram porto seguro, há os que encontram alguma ilha deserta onde possam tentar sobreviver.

Outros desesperam tentando entender as correntes, e mesmo que com cuidado enfrentam as ondas; não desistem até serem devorados pelo oceano. E afogar-se-ão antes de destruirem o que os nativos de outros mundos quiseram.

(E o rum tanto serve para os piratas como para os exploradores.)

sexta-feira, 22 de março de 2013


Não fales. Guarda a palavra em ti até transbordares.

Quero-te corromper. Não há desejo tão escuro como a vontade de te corromper. Com os dedos no frágil pescoço, apenas para sentir o coração a bater, a respiração a aumentar. Segredar-te ao ouvido, transmitir-te pelo toque, e quando sob outros olhos, falar-te com o olhar.

Derreter o proibido, torná-lo fluído que corre selvagem por entre a civilização e a natureza, atraído a recantos escondidos e planícies abertas. Derreter o proibido, torná-lo fluído, e deixar-me encharcar nele. Exorcizar-te dos assombros, vendando a alma, imobilizando a consciência - permaneces pura, inocente. 
E quente, vaporizante.

E então, perder-me na tua corrupção, corrompido, excomungado da sanidade.

Mas não fales. Guarda a palavra em ti até te transbordares em mim.

domingo, 17 de março de 2013

Por mais que um espírito não queira voltar a adormecer, o impossível é abafado pela sobrevivência. E enquanto nas trevas os corvos continuam a voar despercebidos, o rum continua a cair para que se mantenham outros mundos, outras ilusões pelas quais vale a pena existir. Por mais forte que seja o gosto pela dor, há uma necessidade ainda mais extrema de sanidade, por mais que falsa e fingida. Uma dessas metades não consegue matar a outra, e a outra não pode a nenhum custo abater a primeira.

O abandonar da apatia é aparente, usando-a na verdade para dominar as peripécias do tempo, domar a alma insana enquanto está trancada num infinito para que não o rebente, tornando-o finito e vão. A mutação da alma é imparável, o imperativo da adaptação sobrepõe-se, e uma aceitação é simulada indefinitivamente.

Piromaníacos frustrados não iam se não provocar a perda não só do passado, mas também do presente e do futuro. Não com a frustração a alimentar-lhes as chamas. Não com a irreverência da alma a tentar fugir para mundos de fantasia. Não com a possibilidade de uma eternidade nunca julgada, mantida em silêncio.

Mas o desejo é eterno: fazer o criador confrontar a criatura, e domá-la, assassiná-la, em nome de uma antiga espada. Mas ao contrário do espírito, o destino não é domável por uma só pessoa. E essa pessoa, sozinha, ainda que com a coragem a brilhar, rende-se a uma extensão da vida em detrimento da busca pela espada, enquanto ela causar o sofrimento a quem a segura.

E o espírito deixa de existir, transformado em algo vago mantido no anterior de um crânio, destruindo uma vida em vantagem da existência, censurando-se a si próprio em prole de outra promessa. Mas os seus impulsos, esses, não são silenciáveis no mesmo crânio - apenas se pode deixá-los gritar, ignorando a sua vontade de sangue; um celibato da alma, não do corpo; uma morte voluntária, para que não obrigada.

Afinal sempre é possível matar sem provocar uma morte. Afinal, há um caso em que matar é necessário para não provocar a morte. (E a hipocrisia é tão grande... Uma palavra de adeus é impossível de um dos lados. Adivinhas a qual me refiro?)

sexta-feira, 15 de março de 2013


E o passado recongela, o presente vibra epilepticamente, o futuro esconde-se; a inconsequência da vida vã é de novo evidenciada pela corrosão da alma ao rebolar pelas realidades contraditórias. E na insónia outro nasce, inseparável dos anteriores, mas com um ímpeto característico de uma autodestruição silenciosa e demorada faz a sua lenta explosão crescer no vácuo do espaço. Nasce um corpo sem luz nem gravidade, apenas um reflexo indistinto da escuridão, com o seu próprio horizonte de eventos assimilados e depois perdidos. Dissimula-se uma atracção pelo intenso odor a ópio que rodeia tudo o que é o exagero, na palavra, na melodia, e no silêncio. Dissimula-se uma fuga constante de apenas uma das incontáveis realidades, em busca de todas as outras intocáveis.

Sobra o derradeiro fatalismo ao qual se celebra discretamente a mais calma das apatias, enquanto se engole, expele, e captura de novo em órbita o que a eventualidade ditar que se encontra de bom e consistente. Arma-se assim uma muralha esférica repleta de um velcro invisível que tenta vagamente manter em si um outro reflexo  de luz e sanidade.

Mas é apenas outro corpo, uma besta atrelada onde se deposita o que se quer eterno, pois é incapaz de se cegar à luz, pois é incapaz de a atrair. E de fora continuam os outros, fazendo essa nova esfera com um universo em si rebolar pelos dias da semana, absorvendo os vapores etílicos da imaginação. É uma jaula de demónios que viram e verão imensa beleza, na qual não me atrevo a entrar.

terça-feira, 12 de março de 2013

Excertos


"...

Mas as dúvidas padecem de um grande mal: a ignorância. Esta é imposta ou pelo próprio duvidante, ou pela incorrespondência dos sentidos a transmitir tudo o que seria preciso para decidir com que pé dar o próximo passo. Uns rastejam para que não cheguem a cair, e os seus joelhos esfolam-se, tornando difícil uma tentativa de os usar como deveriam ser usados. As suas mãos sujam-se e estão continuamente ocupadas a palmilhar o terreno, não podendo então pintar, escrever, tocar - transmitir. E a coluna que os mantinha de pé perde o seu encanto e a sua força. Não aprenderam eles que gatinhar serve para aprender a andar? Outros, um pouco mais firmes, evitam as quedas de dar dois passos com o mesmo pé dando-os pequenos, podendo corrigir sem dificuldades o primeiro sinal de erro, e assim caminham sem tropeçar. Mas caminham coxos e lentos passos, mal-fadados de nunca os levar para fora de si mesmos. E raramente nos trazem algo para dentro, e consequentemente é raro conseguirem crescer verdadeiramente. As suas mãos, usam-nas para tocar mas não para sentir. Os seus olhos para ver, mas não para observar. E a fala, usam-na para se mentir seguros. Na verdade apenas o rastejante está seguro.

Não repudio estas atitudes por completo, pois são-nos úteis ao ajudar-nos sarar as feridas de pernas partidas com o apoio de muletas, e até o que gatinha tem a hipótese de descansar enquanto pode um dia encontrar uma cova cheia de água, um minúsculo lago de calma onde se possa reflectir o céu, e fazê-lo olhar para cima redescobrindo a imensidão do sonho. Mas assim, são-nos úteis para nos fazer andar depois de cair. Para nos fazer correr, para nos fazer saltar, para nos fazer dançar. São-nos úteis apenas quando lhes conseguimos dar o valor de ferramentas que nos permitam deixá-las. Mas e nesta busca, como devo eu andar?

O Sol acabava finalmente por nascer, e nesse momento o espírito retornava a ser inalado, trazendo de volta o que a dúvida não conseguia decidir.

..."

Mas o meu desejo é caminhar decidido, e correr inconsciente, e tropeçar, e sujar o corpo - e levantar-me, e correr de novo. Contudo não só corre perigo a integridade do corpo de quem corre, mas também a daqueles contra quem o corpo se esbarra. Como se pode correr se não sozinho? Sobra o gosto pelo chão acidentado no pé descalço, um caminhar seguramente periogo, e basta um descuido sobre uma das garrafas partidas para se tropeçar e os vidros voltarem aos olhos, na ironia de acontecer no caminho contrário ao de outrora.

Seja.

A Espada


Foste em tempos um velho poeta embriagado. Pintaste as tuas histórias em guardanapos de papel, aos quais limpavas o sebo hedonisticamente doente, e deixavas pelo caminho a poluir o palco em que declamaste. O teu sangue fervia, poeta. O teu sangue fervia com as bactérias que a cada dia mais prosperavam no teu coração. Chegaste a casa incontáveis vezes sem avisar, depois de noites e noites desaparecido, passadas ao relento sob o calor de consortes físicas temporárias, com uma cascata de rum a escorregar-te pela garganta abaixo. O que conseguiste, hedonista doloroso, se não magoar quem tentava carinhosamente intervir?

Estavas anestesiado, e assim conseguiste caminhar sobre as brasas, e conhecer novos mundos. Ouviste (mal, mas ouviste) a voz que te chamava de volta a casa, da enfermeira que te podia curar, do pescoço que te podia aconchegar, mente pronta a esquecer os teus erros. Mas quando chegaste ao fim dessa passadeira ardente tropeçaste em ti mesmo, numa rasteira que já pedias há muito. E a anestesia impediu-te de sentir a queda. Por culpa dessa anestesia (culpa tua por não a ter sabido controlar) não sentiste a garrafa escorregar-te dos dedos, partir-se contigo, perfurar-te esses glóbulos então inutilizados a que arrogantemente já ousavas chamar de olhos. E não soubeste de tais feridas porque essa mesma substância te dava visões.

Oh, energúmeno poeta, deste tanto das tuas palavras, todas elas verdades momentâneas e paradoxais, as tuas encenações acabavam aí, enquanto rebolavas no lixo que próprio criaras. Os teus ferimentos supuravam, e enquanto o pus te cobria, os vapores das tuas curas e visões fugiam de ti. Oh, mal agradecido poeta! Mas cego levantaste-te, e ainda embriagado correste sobre as brasas que te levaram até aí - sentiste pela primeira vez a dor nos pés, e novas feridas se formavam, para fazer companhia às chagas que já tinhas. E chegaste a casa, mas a porta estava fechada. Olhaste pela janela, e um novo início se formava, já longínquo de ti. E bateste à porta, ameaçaste arrombá-la. E um tornado a levou, deixou-te de joelhos no chão, com as infecções a conquistarem cada vez mais o teu corpo.

E, uma vez mais, voltaste às brasas. E nelas te deitaste, gritando a todo o mundo, berrando por aquele nome, assediando a suave armadura mais externa daquela esfera, tentando reaproximá-la da minha a qualquer custo.

Mas não, poeta, o que podias ser tu foste, o que devias e o que não. E o que ganhaste, se não o causar da dor a cada momento dessa embriaguez? Ganhaste um mito, uma lenda, perdeste uma realidade. Ganhaste um tempo vazio de verdades, cheio de ruído branco, ganhaste calos nesse ataque suicida ao mundo. E ganhaste a humildade de banir a tua metade mais podre para um mundo onde a podridão não interessa. Mas vives esticado por ambos os mundos, e tentas-te segurar a ambos. Tudo o que te posso desejar, poeta, é que chegue uma espada que te corte o tumor e te deixe viver num mundo mais apetecível. A adaga já lá está, mas não te trespassa. E vês, na outra mão, a espada... Aquela espada.

domingo, 10 de março de 2013

We're free to free ourselves. Whatever we may have become, it's a faint second in the giant clock of life. Make it red, paint it black, bite your tongue and feel some wrath - a new second awaits, and you'll miss the last one, every one. We're forever changing, it's the only damnation we can't escape from. Don't desperate, self-create, taste every single tear that rolls down your face, just don't fall asleep.

sábado, 9 de março de 2013


Sentes o mundo dentro de ti, um turbilhão de demónios vermelhos, negros, e dourados, alados. Tudo faz mais sentido quando viras o mundo do avesso, cada momento é em valor uma pequena eternidade, eternamente insuficiente. As lâminas que se arrastastaram levemente pelas tuas costas deixaram as marcas de um passado, e um passado não volta - e as cicatrizes (belas cicatrizes) não sararão. Não retorna o passado mas sabes que retornaram as lâminas, e uma desejosa impotência de lutar contra elas fez-te render de imediato ao seu metal vermelho de calor. Arrastam-se, e ao mesmo tempo que cortam o seu caminho pela carne, cauterizam a ferida e anestesiam a dor do espírito. Sim, é uma droga que deixa marcas e não consegues largar, tu sabes disso e não te arrependes, uma droga à qual não há overdose.

Ouviste os demónios acordarem e gritarem de prazer quando as agulhas se intrometeram nas veias e perturbaram uma calmaria inerte, os olhos abriram-se e encheram-se de sangue, e a simbiose acordou! Os cavalos de fogo voltaram a galopar nas planícies de um mundo invisível, iluminando o gelo que lhes queima os cascos descalços, e cavaleiros de corpos eternamente carbonizantes cantam em gritos a vinda do derradeiro final (façamo-lo durar para sempre)! Com os seus trompetes divinos anunciam a vinda do apocalipse da alma, a união dos lugares fantásticos, a orgia do que nós mortais separámos e tentámos perpetuar, as delicadezas do bem e do mal! Pois não é uma metade que ganha, mas todos, dentro de ti! E verás a chuva a cair e a continuar a congelar na pele, enquanto o fogo continuará a tentar derreter esse glaciar que te envolve - mas não por hoje, em momentos a tua pele é fogo em impetuosas erupções que evaporam a chuva à tua volta, noutros o gelo que insiste em entrar por onde saía o fogo apenas para impedir que ele queime. E predominam as chamas pois as adagas se arrastaram quentes, tão quentes que à distância varreram o gelo! Tudo o fizeram na distância que as mãos que as seguram quiseram manter.

E observas, acordado, as feições de uma fada diabólica, de um demónio angelical. E observas atrás dela as correntes do mundo que arrasta. E observas que também tu à distância fazes peso (por pouco que seja) nesse mundo, de onde outrora havias sido banido. E que é esse peso que tens que fez com que uma tentativa de assassinato se tornasse na carícia de um sofrimento, e te escravizasse num oceano de desejo e prazer. Estás disposto a qualquer momento saltar do convés em que viajas para as ondas perigosas seguindo o canto dessa sereia. E nos teus olhos brilha a coragem já há muito esquecida: afogar-te-ás se for esse o final que o destino te preparou, mas enquanto o fogo ou o gelo te continuarem a invadir nada tens a temer - e mesmo na morte estarás acordado. Louco marinheiro, não há um porto seguro para ti, nunca mais seguro que a loucura de...

E escondes-te no nevoeiro, entre as ondas e as marés, e esperas fazê-la sorrir por um momento com as palavras espalhadas no vento.
E prevês de longe o sorriso a desvanecer-se, e viras de novo o mundo ao contrário - as facas afastam-se, mas as cicatrizes não.


(Imagem de John Dyer Baizley)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tragédia é viver entre espadas de borracha, que ameaçam mas caem frouxas.

domingo, 3 de março de 2013

Uma ponta de consciência

Vejo dois espelhos com o teu reflexo, e que se reflectem mutuamente. Um deles reflecte para mim, outro apenas está perante mim. Mas tal casa de espelhos não abriga apenas duas imagens, mas mil, e mil imagens se separam umas das outras em mais do que existe e menos do que imagino. Saber onde está a mãe dessas reflexões não é de todo difícil, não há desafio, apenas um pouco de bom senso, utilitarismo, gelado como um cadáver. A apatia da impotência já se fez carregar demasiado em demasiada gente, e daí uns se viram para as vibrações, a tinta, o papel - porque é nos espelhos, nas luzes, é na confusão que está o interessante. Está o que escondes e o que mostras, o real e o imaginário, tudo menos o conformismo com uma realidade perigosamente saudável, convenientemente adequada, perpetuadora do não. Vive uma possibilidade imortal, vivem as musas, a poesia! Vive a viagem mesmo quando fora do papel estamos confinados. Vivem deuses e fadas quando a realidade é "apenas" isso: real. Nos espelhos, nas luzes e na confusão o sonho torna-se palpável, respirável, sejam talvez os vapores da tinta alucinogénicos e nos façam entrar no País das Maravilhas e nos Reinos da Decomposição. Quem pode culpar quem quer que seja por viver a fantasia na sua cabeça?

E a manhã chega, a rotina tende a ter o seu peso, o sonho adia-se para a noite seguinte. E a realidade é o que é: uma fascinante roda-viva de evolução e violência, o sentir o frio cortante e o quente abafado, olhar ao céu e tentar perceber o mecanismo do universo. Ver a ciência, observar a delicadeza robusta. Ver a Lua a por-se de manhã, e com sorte voltar à noite. E o sonho dorme, com tudo o que não é real.