sábado, 30 de novembro de 2013

“She was fascinated with words. To her, words were things of beauty, each like a magical powder or potion that could be combined with other words to create powerful spells.”
Os dedos na tua face, o polegar no teu lábio, húmido... Mas és apenas uma sombra.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mas há aquelas pessoas que só podem permanecer na mente de outras se escreverem e nunca falarem. Que têm que morrer por fora para poder viver um mínimo por dentro. Que inevitavelmente trocam o real pelo imaginário. Sujando algumas folhas, borratando o que não pode ser borratado, fazendo rabiscos e rascunhos que não chegam a desenhos mas são vistos como pequenas pinturas amadoras. É o máximo a que os escassos meios de alguns podem ambicionar. Emudecer para gritar, congelar para não arrefecer, separar as personas de um só ser.

Mas duas personas num só corpo é ter duas línguas na mesma boca, duas falas na mesma garganta. Dois erros e espaço apenas para um. Não sobra espaço para acertar, sobra? Então vivem errando, erram vivendo, e erram até em tentar mudar de rumo. Cria-se um segundo corpo, plástico, um vasilhame emprestado a uma personalidade de cada vez. E a persona sufoca, mas não há grande opção, há? Quando não se consegue juntar o deprimente cómico e o comicamente depressivo.

Mas é enquanto ambos estão temporariamente mortos que cabem no mesmo corpo, e se revela a piada mais deprimente, que nem o dramático nem o palhaço conseguiram contar: ser-se pessoa nas horas vagas. Com uns tiques de um e as repressões do outro, aparecem diálogos que são apenas balões de oxigénio para se aguentar até recuperar o pé. O mais estranho é que é também aí, com ambos no mesmo corpo, que essas pessoas se sentem maiores, mais largas, mais pesadas. O mundo é expremido pelos olhos e ouvidos até ao cérebro, o ar custa a entrar nos pulmões, e tudo tem um tom sonolento, viscoso, nojento. Convenientemente é quando estão mais conformados, quando as más notícias valem pouco menos que as boas. Penso que é assim também que menos interferem no mundo, e então erram menos.

Mas há coisas que nunca mudam, alguma parte é constante e verdadeira. No caso deste, por exemplo, é escrever para se tentar compreender.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

White Rabbit

One pill makes you larger
And one pill makes you small
And the ones that mother gives you
Don't do anything at all
Go ask Alice
When she's ten feet tall

And if you go chasing rabbits
And you know you're going to fall
Tell 'em a hookah smoking caterpillar
Has given you the call to
Call Alice
When she was just small

When the men on the chessboard
Get up and tell you where to go
And you've just had some kind of mushroom
And your mind is moving low
Go ask Alice
I think she'll know

When logic and proportion
Have fallen sloppy dead
And the White Knight is talking backwards
And the Red Queen's "off with her head!"
Remember what the dormouse said;
Feed your head
Feed your head

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

That's what we do, ain't it?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Quem és tu, que tento expulsar da minha cabeça? És-me um ódio triste à realidade, uma sensação de que tudo (tudo) acabou. És um vulto estranho que se passeia silenciosa e discretamente, como uma infecção dormente que jura matar antes de morrer. Isto foi o pouco que ainda consegui ver pelas brechas da tua capa, bicho raso. Depois de tantas vezes me teres enganado. Escondes-te à vista de tudo em mim, passaste discreto por entre as minhas multidões, e, travestido, queres ser chamado de "ela". Rodeias-te das minhas memórias, que sem ti são compreendidas (de forma custosa, mas compreendidas). Fazes-te passar por essas mesmas memórias, roças-te nas melhores para que captes o cheiro, e amordaças as piores para que te possas fazer ouvir ventríoloquo, esperando ser confundido pelo perfume que roubaste.

Atrapalhas-me a visão, negro vulto. Atrapalhas-me até a tragédia, retiras-me da dignidade a que posso chamar minha. És-me um ódio triste, e ainda assim nem és Ódio nem és Tristeza. És apenas um ser desprezável, até desprezível, que forçou a entrada em mim enquanto não olhava. Produzes pus e sangue morto, usas as artérias para tentar popular as chagas - é nada longe de um milagre o facto de não triunfares por completo em mim. Não és sequer Degredo, e és no entanto o asqueroso. O coração terá que bater mais lento, os pulmões terão que ser mais calmos, e tanto a pele como espírito terão que sofrer ainda mais, agora que te reconheci, para que te continue a reconhecer. À sua passagem varrer-te-ei das memórias, para que se permaneçam limpas.

Mas ainda me faltam os poderes de observação para saber se poluíste ainda mais de mim. Talvez vivas em mim eternamente descansado e escondido se eu achar que te expulsei. Mas lutarei mais astuto, para que não mais me assedies os sorrisos nem me violes as lágrimas. Bebê-las-ei para mim, sentindo o seu sabor dolorosamente ácido por vezes, pacificamente desolado por outras, e nunca morrerei de sede. Oferecerei os sorrisos para que sejam cuidados por alguém mais habilidoso que eu. Terei ainda assim que descobrir como guardar o meu pequeno tesouro privado, para que não me durmas com os segredos.

Sonhaste ser outras pessoas para me poderes comer por dentro, ainda mastigaste da minha alma e da minha carne. Mas enquanto te conseguir ver, não mais infectarás.

domingo, 24 de novembro de 2013

"But I am but a blind man
In my own crypts and mazes"

sábado, 23 de novembro de 2013

Como poderia alguém reclamar para si o domínio das palavras?
If you had just one chance to take a look through the Looking Glass, to see the truth for one brief instant, would you take it? Would you use it to look at the past, or look at the future? Would you look at yourself, or look at the ones you love? Would you share it with another, or would you keep it a secret?

What if you were the Looking Glass?
What if everyone were just like you?
What if their lies were your lies?
Their loves your loves? What then?
Would you lay aside ignorance and prejudice?
Would you stand up and fight for what you believe in?
Would you pick it up or would you put it down?

The Looking Glass.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"Olhei para o relógio e faltavam cinco minutos para a eternidade."
Quando desapareces o mundo escurece de novo. Ignoro, e ponho os óculos de ver mais claro. A eficácia é dubiosa, mas dá para desenrascar. Não se trata de viver no passado. Trata-se de não ter interesse num futuro, nada parece fazer grande sentido.

E dizes-me um outro adeus retroactivo. Se te era difícil, espero que isso te tenha tornado tudo mais fácil.

Desejava ter sido melhor, mais justo, para contigo e para comigo mesmo.

Os óculos hão-de se fundir na pele, e hei-de ver um mundo mais claro de uma forma quasi-natural, ver como tu.

Espero que o último momento de estupidez aberrante não te tenha trazido problemas ou preocupações. Mas não consigo mentir, penso nisto como um adeus mas não o consigo aceitar. Talvez quando o nó na garganta se desfizer.

...

Nunca te arrependas. De momentos, de palavras, de escolhas. Por mais que isso possa magoar alguém. A mim ou a outra pessoa. Arrependeres-te faria com que te doesse mais a ti.

Até um dia, imensamente distante, o qual cegamente quero acreditar que exista. Afinal é o mais próximo que consigo de um adeus.

Parvoíces. Mas sem manipulações. Pelo menos olhaste para trás.
Por favor.
Tu sabes.
Eu sei.
Até já.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Abro os olhos, e é céu azul e nuvens negras. Boca seca e salgada, quão irónico é morrer como tantos outros à sede no meio do oceano. A flutuar à deriva em cima de uma qualquer tábua podre, esperando que se desfaça. Tirar à sorte entre a sede e o inundar dos pulmões pela água.

sábado, 16 de novembro de 2013

How could I not explode?

Imploding instead.
Como mensagens rabiscadas em papel amarrotado nas mãos de crianças que só assim conseguem abrir certa parte de si, este balde de correios não entregues serve fielmente o seu propósito. Segredos envergonhados, invioláveis, incompreensíveis a quem não os conhece. Porque por mais rara que possa ser a oportunidade de te descrever algum pensamento, alguma sensação, roubas-me os pensamentos e os estendes no chão. Abertos e mudos, para serem levemente pisados por conversas profundas ou fúteis, agradáveis, tão... Naturais. De longe é tão mais fácil concentrar, de perto tiras-me dos meus caminhos.

E vi-te, e mal te vi recomeçaram os soluços, e a sensação de estar em casa apesar de estar banido dela. Como ter uma muralha e tu do outro lado, mas de alguma forma escalá-lo e ver os cantos da tua boca levitarem em sorrisos. Sentado lá em cima, tão longe e tão perto, sabendo que acabaria por bater de novo de costas no chão após a Terra rodar para me fazer cair. Maldita gravidade! Como o que te rodeia, tão leve e grave ao mesmo tempo. Como as mesmas conversas, profundas ou fúteis, agradáveis, tão... Naturais.

E quão difícil é descrevê-lo, como com esse verde me tiras o cinzento do dia-a-dia, a amargura defensiva, o orgulho protectivo, a razão fria, os pontos finais, a fatalidade conformada. A tua voz faz com que esses meus pequenos monstros se calem, te ouçam. Tiras-me da seriedade para a parvoíce bem intencionada. Um pequeno oásis com pernas e cabelo longo, diferente de um mundo agreste. E a cada um dos soluços que a tua visão provoca sai um desses monstros, agora mudos, agora inócuos.

Mas que digo eu? Soubesse-o. Quando o sei, não o consigo dizer. Quando o consigo dizer, não o sei. Houvesse um gravador de almas e transformasse-se a semi-amnésia do bem-estar num registo escrito. Porque merecia a sua própria placa, escondida do mundo, presente em algum jardim que partilhava contigo, mesmo que na verdade pudesse ser apenas pouco visitado. Com fontes de ti, uma Lua sempre presente, palavras em papéis que não se desfazem na chuva que trazes. Pudesse ler-te algum desses papeis, na minha voz para ti. O jardim também é teu, visita-o sempre que precisares.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Há uma hora, passada num momento, que merece ser descrita. Ainda não encontrei as palavras, mas elas existem. As que não existirem, hei-de criá-las.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Não é mentira que preferia a pessoa segredosa e subversiva que podias ser. Não é mentira que vendia a alma de quem fosse preciso para ficar iludido como já estive (quanto mais o que faria por outras vontades do meu corpo, mente e coração). Mas admiro a tua integridade sem igual, saber que abres tão seguramente a mão dos teus desejos mesmo quando são tão pequenos e, na verdade, irrelevantes coisas. Com todos os demónios que tens em ti, consegues dominá-los sem dificuldade, és pura.

Antes fiz um voto de não invasão, de não persuasão, de não intromissão no teu mundo, e eventualmente falhei tal voto. E tu, segura. E já depois de tudo deixar de importar, continuas a mesma, não mudei um milímetro o teu lugar.

Tens as rédeas do mundo e pareces não saber. Admiro-te pela tua perversão e inocência, obedientes à mesma integridade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Midnight Black Earth

É como alcatrão no qual o corpo se afunda, em pé, de pé, pelo pé. Como uma esponja absorve todo o calor, toda a vida, todo o sangue, lenta e pacientemente sufoca as vítimas impotentes. Os metais e as madeiras fazem-se ouvir irmãos, acompanhados das cordas e das peles. E rendes-te, mais uma vez, mais vagarosamente que antes, mais calmo. Até que a rendição seja existência, até que a existência esgote a vida, até tudo secar por dentro, murchar sem morrer. Sem dor, alguma pena. Sem medo, aceitação. Sem objectivo, liberdade. Na doce amargura do alcatrão à meia noite. Quão hipócrita consegue ser a paz interior.

http://www.youtube.com/watch?v=RErmfXDMbvo

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Dear fatal name! rest ever unreveal'd"
Lust and pain, blood and mud.

sábado, 2 de novembro de 2013

Chet Baker - Almost Blue

Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be

Almost blue
Almost touching it will always do
There's a part of me that's always true... Always

http://www.youtube.com/watch?v=z4PKzz81m5c

Death and a glass of Port.