quinta-feira, 29 de agosto de 2013


"Why say goodbye?
We are born again
When we die."

quarta-feira, 28 de agosto de 2013


O pior não é perdermo-nos. É sabermos onde estamos, encontrarmo-nos, e não nos reconhecermos. "O homem planeia e deus ri-se". Se não fizermos as pazes connosco mesmos, quem podemos nós ser? Como podemos mudar se não nos queremos conhecer primeiro?

Reconhece o que queres no momento. Distingue entre o que queres e o que desejas querer.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O teu murmúrio no meu ouvido, a lembrar-me de quão trágico é o tempo... E a tua adaga fervente nas minhas costas marca a tua presença... E sufoco, enquanto respiro melhor. Queima-me.

Nevermore

Once again

sábado, 24 de agosto de 2013

Silhuetas brancas caminham translúcidas, como quem afinal estava apenas na mente. Seres imaginários que fazem companhia, as sombras brancas, inexistentes. O palpável e o real querem desvanecer, o som é cada vez mais ténue, sobram lábios vagueantes e sobrancelhas expressivas que parecem não dizer nem ver nada. As cores são mais escuras, o tempo parece passar mais lentamente mas discreto, não dando pelos dias e pelas semanas a esconderem-se umas por trás das outras. Sensação funerária para quem já não ouve, mas disfarça lendo os lábios, pela surdez fala absurdamente alto. Como quem se vai embora mas não se pode despedir. Como quem está nu mas completamente pintado. Ninguém vê nada, mas ainda assim a vergonha existe.
Convulsions for those who can't move.

Losing It

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013


O céu ardeu. Vi dragões cuspirem fogo e entrarem no coração das mesmas chamas, para desaparecerem nas nuvens tóxicas desse queimar de almas, vi a Lua a ficar negra e explodir poderosa, com o impacto que pára o coração e a respiração por um momento de medo e impotência perante o céu. Vi a vida a desvanecer, diluída na pólvora dos fugazes brilhos coloridos. Toda a vontade havia desaparecido, para se tornar um com o envolvente. Toda a importância havia sufocado, todo o vazio se fez ver belo.

Nada, nada importa. Apenas passos em direcção ao fim de tudo, somos mortos em tempo emprestado caminhando preocupados com o mal-estar - mas somos apenas mortos enganados. Todos acabamos eventualmente.

Apenas mais um momento, apenas outro... O próximo pode sempre ser o último. Mas teima em se manter longe.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

"In the right circumstances, even the meekest..."

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Kashmir

"All I see turns to brown, as the sun burns the ground
And my eyes fill with sand, as I scan this wasted land
Trying to find, trying to find where I've been

(...)

Oh, father of the four winds, fill my sails
Across the sea of years
With no provision but an open face
Along the straits of fear"

terça-feira, 13 de agosto de 2013

"Watch my world dissolve."

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mas o demónio está sempre lá, no ombro, a sussurrar-me que também eu devia ser um demónio sussurrante... Corta-me a língua. Mas cose-me também os lábios.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"When death sleeps it dreams of you."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

As narinas expiram vapor perfurado por um fogo fétido. Pois ele dorme, uma montanha lhe pesa nas costas. Mas no rachar da rocha e no sentir do ar gelado do Norte, os olhos abrirão, as pupilas fitarão a luz intrusa na sua cobardia milenar, e toda a cordilheira ouvirá o seu rugido e sentirá o vento das suas asas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Amputando a alma, o corpo cede à gravidade. Mas torna-se livre na última queda.

sábado, 3 de agosto de 2013

"As formas da tua pele e os cantos do teu sorriso deram corpo e alma às palavras de um inapto analfabeto."
"When I die, bury me in smoke."

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Prohibited

E dançam, e dançam, e cantam, magos e bruxas à volta do caldeirão, sob a Lua, de vestes negras seguras nos esqueléticos corpos por cordas de ervas enfeitiçadas! Como riem, macabros, enquanto proferem imperceptíveis parábolas! Fumos verdes escapam do negrume do caldeirão, apenas para pairarem até serem capturados pelas narinas de um deles, enrubescendo-lhes os olhos, tornando mais roucos os seus cânticos e mais obscuros os seus risos.

E levantam a voz, e levantam as mãos ossudas e feridas, e com as suas línguas púrpura declaram o seu amor às chamas da natureza feita de árvores que ardem sem se consumir! E debaixo da luz da Vénus do início da noite, rogam à beleza destruidora que lhes mantenha os olhos abertos, enquanto outra Vénus mais terrestre se contorce em gemidos, nua no altar de rocha lisa. Desembrulham os seus amuletos, pequenas figuras feitas de folhas e flores secas da planta encantada, e lançam-nas para o caldeirão. O seu encantamento espalha-se, os cânticos passam a murmúrios, e as gargantas secam-se-lhes.

Pois chega o momento de beber algumas gotas do sangue da santa. Das feiticeiras é a mais bela que retira uma faca das suas vestes, dos feiticeiros o mais velho. A voluntária oferenda de carne, tatuada com as marcas da natureza, ajoelha-se no altar, e deixa cair as costas para trás, como dita o ritual. A Lua brilha sobre si, para que os deuses possam ver a luxúria benigna que transpira. O velho mago aproxima-se do seu pescoço, e executa um pequeno e momentaneamente doloroso corte hábil, que verte sangue de imediato. A bruxa, de cabelos longos brancos e lisos, faz o mesmo, com menos habilidade mais mais sensualidade no interior coxa do sacrifício. E ambos encostam os lábios à Vénus que se lhes dispõe, prazerosa, de olhos vermelhos e gemidos lentos. E as suas mãos agarram nos cabelos de ambos os feiticeiros, querendo mais ainda ser consumida. Mas sofre de desejo, enquanto, dois a dois, os feiticeiros vão sorvendo o seu sangue do pescoço e da perna.

Os fumos verdes dos amuletos continuam a levantar do caldeirão, adensando-se, e tomando forma lentamente, mudando de cor, tornando-se negros e vermelhos. Sobem, até formarem um corpo demoníaco, pairando sobre o caldeirão enquanto a sua transparência gasosa é substituída pelas cores sólidas e a textura de uma pele áspera, queimada pelas chamas da mesma natureza. Pousa levemente no chão, e os cânticos recomeçam, arrastados, com as vozes inebriadas pelo encantamento. O demónio trazido à terra pela magia negra dos anciãos caminha, com os olhos na frágil beldade que se lhe apresenta. A terra debaixo dos seus pés floresce e arde com os seus passos. Os lábios molhados da bela de cabelos negros e pele branca fecham-se ao reconhecer o ser do outro mundo. E enquanto estes se fecham, ela própria se oferece, como se um cordeiro reconhecesse a sua morte, e a aceitasse, e a quisesse. E unem-se os mundos na luxúria da carne e do fumo, do organismo e da droga, do ar e das plantas, sempre em cima do altar. Mas esse belo cordeiro é a contraparte do demónio, e como tal roda sobre ele enquanto crava os dentes na sua pele e o inspira, ficando sozinha de joelhos na rocha. E quando expira o fumo envolve-a, queimando-lhe a pele, e fazendo-a gritar suavemente, agradada pela dor. E o materialismo do seu corpo ressuscita, começando por dentro dela, entre as suas coxas (uma delas cortada), e estendendo-se de costas num manto de si mesmo, até para fora do altar. E grita ele pois a vida dela o queima, com a mão no seu pescoço, e as dele no seu peito.

É essa a melodia sadomasoquista, de amor e batalha, que preenche as veias desses magos. E para todo o mal, e para toda a dor, e para toda a natureza, eles vivem. E que até a morte seja vida, e que até o celibato seja luxúria, e que até o sofrimento seja prazer. Que até as palavras acariciem. Porque há correntes inquebráveis entre eles e as suas almas.

Isadora