domingo, 30 de junho de 2013

"Doce Veneno Lunar"
"Voiceless it cries,
Wingless flutters,
Toothless bites,
Mouthless mutters..."

sábado, 29 de junho de 2013

"But always he remembered the mountain smoke beneath the moon, the trees like torches blazing bright. For he had seen dragon fire in the sky, and a city turned to ash... And he never forgave, and he never forgot."

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um convite ao meu assassínio.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"The spiders, they keep leaving me under."

terça-feira, 25 de junho de 2013

Entropia

O mundo gira sobre o vazio, feito peão rodopiante à volta de uma luz, gigante, distante. Contamos abertamente cada volta que dá sobre si mesmo, contamos abertamente cada volta que dá a esse pirilampo espacial. O que não tendemos a pensar é quão intimimamente desprezamos essas contagens homologadas, pois uma volta não é igual a outra. É o que se passa à superfície do planeta que dita a passagem do nosso tempo. É a idiossincrasia dos símbolos que nos rodeiam, das pessoas, dos hábitos, da Lua.

Só há uma direcção para a entropia, e é essa a direcção ao caos, à irreversibilidade. Mas vemos os sóis, os planetas, a vida tão delicadamente organizada a contrariar as leis do universo, a tentar manter coeso o ecossistema de relações pessoais. Por vezes, a tendência é tão forte que o difícil se torna voltar ao caos, obter a desorganização, liquefazer a realidade para a tornar mutável. Como se certos pontos da realidade tivessem cristalizado no tempo, e tudo o resto nadasse em sua volta, e por mais que queiramos fugir acabamos por reconhecer a mentira. Ou acabo, eu, na minha experiência pessoal. Solto os cristais, e eles não quebram. Tentara formar outros, mas não foram senão líquidos viscosos. Tentar abandoná-los matar-me-ia com eles. O que sobra é aceitá-los, se nem a negligência parece enfraquecê-los. E ver quantas voltas sobre si mesmos dão, e ver quantas vezes girarei em seu torno. E à noite brilham, translúcidos, perfeitos como diamantes, cortantes, mortíferos, dadores de vida, ácidos, belos. E à noite brilham, à luz da Lua.

Viraste a minha entropia ao contrário.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Narrar é viver, pois viver é apenas ser vivido."
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

sábado, 22 de junho de 2013

Desorientado, à deriva. Sei para onde tenho que olhar, mas cego não encontro a direcção.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

À procura daquele em quem me tornei.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

E não há o aroma, não há o paladar da despedida. E o tacto, muito curto para o ser, apesar de ser também o menos intencionado. Há, no entanto, um olhar fugido. Há sim vontade de dizer as palavras erradas, as palavras tão verdadeiras quanto erradas. Mas antes que pudesse errar o momento passa, fugido em pânico pelos dedos do momento passado inocentemente.

Mas talvez não tenha cheirado e sabido (por mais que sentido) a despedida por não a ter sido, não ainda... Ou talvez porque tenha visto uma partida em paz, sorridente, sincera, definitiva.

E os demónios morrerão de livre vontade, afogados na melancolia da ausência e das boas atitudes.

Que dedos teus ficariam marcados nas faces?

segunda-feira, 17 de junho de 2013


E as outras almas que se derretem nas cordas da guitarra, nos metais da harmónica, de nada significam quando caminhas sozinho no deserto, à procura, à procura. Julgam essas almas poder-se afeiçoar ao doce som da dor solitária. A solidão não tem afeição. Dás meia volta perante as transeuntes deleitadas, e caminhas com os lábios na harmónica, de guitarra às costas, com as botas cheias de areia.

sábado, 15 de junho de 2013

Tornaste-te boa talhante espadachim. Com as lâminas em brasa esquartejaste o meu ser. O calor cauterizou as feridas, e não me mataste. Mas havias aquecido as lâminas no teu próprio fogo, negro e púrpura, com o teu veneno natural. E por isso, a cada corte, sentiste um corte mais pequeno em ti. E o meu sangue vaporizou em contacto com com as adagas, e respiraste os seus fumos. Mas nada disso te doeu. O que te doeu foi teres o metal infectado pelo meu ser, e virares o gume para ti, e satisfazeres o teu próprio gosto pela dor. E assim inadvertidamente me levaste para ti.

Mas, na tua virtude da multiplicidade de criaturas, pegaste no teu coração de elfo, o teu cabelo de ninfa rodou no ar atrás do teu corpo, e voaste com as tuas asas feéricas.

A tua passageira presença será cantada, mesmo que em silêncio.

E o esquartejado olhará para o céu todas as noites, esperando ver o teu reflexo na Lua.

Até um dia, pequena ninfa dos rios.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

E quão bom é ver que não é preciso o dramatismo todo, que antes disso me agarro a uma rede cinzenta que na tristeza me permitirá, qual tarântula suicida, sentir as vibrações que estiveres disposta a enviar.

(07/07/2013) 

...

E apercebo-me. Estive mais vezes dentro da tua mente a explorar os recantos os quais abriste à minha passagem, os que me quiseste deixar ver. Estive mais vezes do que teria alguma vez assumido. Num presente semi-silencioso, em conversas que nem sempre precisaram de palavras. Mas escutei-te, e pensei ter ouvido vozes. Escutei-te, e pensei não o ter feito.

E apercebo-me, sempre tiveste razão. Talvez nunca devêssemos ter voltado a trocar um olhar, talvez nos devêssemos ter ficado pelas palavras inócuas, falsas, vazias se não de vontade de as encher.

Apenas dois actos não consegui fazer por ti, e talvez fosse um desses aquele de que mais precisavas. E talvez nunca o venha a saber.

Para tal, viro este espelho ao contrário, e o entrar nele torna-se sair. E não há um trilho atrás dele. Viveria para sempre contigo. Mas é a memória de ti que nele vive, não tu. Ainda mais apreço tenho por ti, rendido à realidade, do que pelo fantasma que te representa. Porque tu existes, o passado não. É o passado que me ama, é o passado em quem eu posso segurar contra mim.

Mas por ti, devo sair. Ir embora.

Saio do espelho.

Saio da cascata.

E a gravidade rapta-me para as profundezas do precipício.

E nem na morte vigilante o consigo aceitar.

Volta, olha para trás.


"Agarra-me se me vires a tempo..."

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Why did I laugh tonight? No voice will tell:
No God, no Demon of severe response,
Deigns to reply from Heaven or from Hell.
Then to my human heart I turn at once.
Heart! Thou and I are here, sad and alone;
I say, why did I laugh? O mortal pain!
O Darkness! Darkness! ever must I moan,
To question Heaven and Hell and Heart in vain.
Why did I laugh? I know this Being's lease,
My fancy to its utmost blisses spreads;
Yet would I on this very midnight cease,
And the world's gaudy ensigns see in shreds;
Verse, Fame, and Beauty are intense indeed,
But Death intenser -Death is Life's high meed."

sábado, 8 de junho de 2013

Hoje o Sol nasce negro.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

É um espelho revoltante, carinhoso, ébrio, bastardo, saudasoso, escuro, iluminador. As memórias que traz, a maioria desfocadas. Tinha em si fechado o peso do tempo estático, impassível à mudança que não a sua própria. Há uma vontade gigante de o atravessar, e a meio do salto, é o melhor que pode acontecer. Por isso a cascata parecia tão reluzente; encorpava nela um espelho que reflectia a luz que escapa dos picos da montanha, se dispersa nas nuvens, e atravessava a água passada. Mas, vendo a mesma cascata de dentro, apercebo-me do que provavelmente era óbvio aos olhos externos. Estava preparado para imenso, mas não para ver o mundo a cair comigo. Para sempre, sem um embate, sem uma morte, mas uma queda permanente de retirar o fôlego, roubá-lo para sempre. Mas é uma suposição. Pressinto a queda, e pressinto antes dela a anestesia que me vai proteger.

Ainda mal entrei nesta cascata de Pandora, mas reconheço-lhe tão bem os cantos... E ainda assim, é como se visse fantasmas à minha frente, comigo não existente, rever a palavra e a acção, rever a certeza e o erro, a raiva e o arrependimento. Mas, acima de tudo, vejo parte da referida anestesia: o êxtase, a loucura desmedida, o voar contra paredes e continuar, qual ave desorientada, cega. Inebriado pela tua presença distante.

Palmo a palmo, o meu corpo penetra no espelho. A água invade os pulmões, e respiro-te como um dia te respirei sem o saber tão bem, como um dia me respiraste. Todos os meus frascos de memórias me escapam das vestes, e são levados para o fundo, enquanto eu, surpreendentemente, me mantenho à mesma altura. Talvez seja já a anestesia, talvez esteja eu a caminhar para a morte sem me aperceber, talvez a tortura tenha despoletado em mim a droga interna que nos protege da dor quando nos amputam uma parte de nós mesmos. Talvez não. Talvez compreenda mesmo o futuro que o futuro me guardou. Mil mãos no meu corpo, mil mãos no meu pescoço, mil olhos me observam, mil ouvidos escutam o meu silêncio. Mil de ti me rodeiam.

...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fosse eu capaz de descrever o resto da história...

terça-feira, 4 de junho de 2013

E no teu caminho pelo trilho na montanha atravessa-se de repente uma fenda, extremamente funda, e do outro lado o trilho passa por trás de uma cascata, cuja fonte não imaginas pois o seu topo está tapado pelas nuvens. Mas consegues saltar para dentro da cascata, e continuar o teu caminho molhado - isto é, se o trilho realmente continua do outro lado, se não fores atirado para o fundo pelo peso da cascata, se aguentares cada memória trazida por ela.

Foi este o caminho que pediste, contudo. Algo que te testasse, e que te pudesse banhar um pouco na sensação de uma existência priveligiada. Dás uns passos atrás, e receias. E depois de uns passos de novo à frente saltas, e tudo em ti se apercebe do que acabas de fazer. Entregaste toda a tua vida, estás suspenso no espaço, no tempo, e quando essa suspensão acabar o próprio tempo em ti será decidido, talvez derradeiramente.

Estás pronto para mergulhar a cara no espelho de Pandora?

domingo, 2 de junho de 2013


E todas as almas inconsoláveis parecem despejar sobre mim o peso douradamente macabro: "o teu nome foi a última palavra que ele proferiu". Não consigo, por nada, por tudo, se não apenas por ele, aguentar essa sentença.

Nada fiz para que esse lobo me tivesse como último nome. Mas deverei aguentar para todos os peões deste intrigado tabuleiro de xadrez poderem descansar.

Lobo do mar, conseguiste ir embora e deixar-me algo. As saudades da tua presença, tão desvalorizada por mim mesmo, serão gigantemente esclarecedoras.

Digo adeus, mas não o consigo sentir.

E nada poderei fazer para que voltes. Nenhuma daquelas lágrimas, nenhum daqueles lamentos te pode fazer voltar. Aquelas rezas revelam que te querem num mundo melhor, e o meu objectivismo fere-me como nunca antes. Rezas nas quais não consegui participar, rezas nas quais não acreditei. Escrevo na segunda pessoa para ti, que nunca irás poder ler. Quáo inconsequentes podem ser as palavras? Coitados dos vivos. Não de mim, que mal possuo sentimentos. Mas as lágrimas que escorrem dos outros ferem-me tanto quanto as minhas próprias, nunca largadas mas presentes.


Não faço ideia do que quero dizer.

Reconheceste-me, velho lobo. A cada passo olharei para ti, para a tua filha, e para aquele que para sempre amou a tua filha. E é esse o meu legado, o amor pela família que possibilitaste.

Avô, lobo do mar, que presenciaste Auroras Borealis, que presenciaste a guerra, que presenciaste a ditadura. Para sempre, estarás aqui. No local menos óbvio e menos declarado, mas também aqui estarás.

sábado, 1 de junho de 2013

It all fades to black

Deitado, ofegante, de sangue na boca, esquelético, braços negros, ligados, fracos, trémulos. Tiveste uma vida forte. E no meio do teu silêncio agonizado, disseste o meu nome, apesar do tempo desde a última vez. Apesar da distância constante, prestes a ser uma distância permanente. As lágrimas rolam, embrulhando memórias nas faces da tua prole. Segurei-te na mão, e apertaste. E reconheceste-me, de olhos fechados, em dor.

Não estou preparado. Mas ninguém espera pela preparação dos outros.

Aguenta-te, que os teus últimos sonos induzidos pelos químicos sejam preenchidos de sonhos, revive todos os teus bons tempos.

Ver-te-ei de novo antes de atravessares o derradeiro rio? Bem o espero.

(E antes que eu pudesse sequer publicar os meus pensamentos, foste. Adeus, lobo do mar.)

Parecem faróis suspensos. Falamos de olhar para o passado, mas olhar o céu com atenção é um descortinar da história do Universo em milhares de milhões dos nossos próprios anos. Somos a nossa própria unidade de medida de tempo. Pequenos pontos de luz e outras radiações permitem-nos deduzir mais do que pensámos os deuses pensarem. Somos nós agora os deuses, estudamos o passado, conhecemos o presente, adivinhamos o futuro. Mas em tudo isso esquecemo-nos de nós próprios, pois seria impossível adivinhar o nosso próprio percurso, deuses-formigas, numa selva em que cada árvore e cada arbusto são separados pela imensidão do nada.

E olhamos o céu nocturno, para as bolas de fogo cuja luz demorou tanto a chegar-nos aos olhos. E olhamos o céu nocturno, e vemos químicos em reacções nucleares a produzirem o pó do qual nós mesmos fomos formados. E olhamos o céu nocturno, e não mais achamos ver magia e intenção. Mas o mistério, esse, nunca desaparecerá.