terça-feira, 30 de julho de 2013

Devil in my tongue, Satan in my fingers, Belial in my eyes.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O próprio rei élfico, cujos olhos estavam habituados a coisas maravilhosas e belas, se levantou, estupefacto. E até Bard olhou maravilhado, em silêncio. Era como se um globo tivesse sido cheio de luar e suspenso diante deles numa rede tecida de cintilações de estrelas geladas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Elizabeth

Dos dedos de onde antes jorrava a verborreia metafórica cuja tradução era guardada por uma chave segurada por duas mãos diferentes, hoje pingam vocábulos, escorrem pela palma, pulso, braço, e são reabsorvidos. Sentes-te de novo, pesado, ao mesmo tempo que deslizante num pairar sereno, arrastado. A capa que trazes varre o chão atrás de ti, guarda a terra das tuas pegadas. E a cada passo se torna mais pesada, como é inevitável no tempo. Mas recuperas o fôlego, puxas de novo a capa a ti, trazes de volta a alma à terra, e vês a paz no caos.

Não fazes ideia do que se aproxima, não sabes quando serás capaz de devolver ao papel a tinta que é dele, com a marca da tua floresta, escrita em doce veneno. Vês a curva contínua à tua frente e perguntas-te se será o teu caminho um círculo ou uma espiral. Se é um círculo, queres chegar onde começaste, e levar o caminho a rebolar para outros mundos. Se é uma espiral, dirigir-te-ás para dentro, em busca de ti próprio, ou para fora, tomando posse do mundo? Mas queres, em qualquer dos casos, abandonar a Terra, colonizar as terras que nunca foram tuas, aprender as línguas do além, pintar os quadros do invisível, esculpir estátuas de ninguém, escrever epopeias sem povos, tocar acompanhado de Terpsícore.

Mas sentes-te conscientemente relutante contra ti mesmo. Tentas-te ignorar mas não consegues. Será o círculo inquebrável? Esperas que sim. Esperas que não. Lanças-te aos remos ouvindo as melodias das sereias, e, fútil tolo, deixas o destino ao destino, abandonas toda a luta que não por ti.

Que apareçam novas fechaduras, novas chaves, e que a dourada permaneça o coração da floresta e do rio e da Lua, guardados pela ninfa.

E talvez um dia te encontres de novo na torre alada.

"Oh, it's a sad and beautiful world, a sad and beautiful world..."

domingo, 21 de julho de 2013

It's an empty house full of people.

"You were stolen as black across the sun."

sexta-feira, 19 de julho de 2013

"Self improvement is masturbation. Now self destruction..."

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"... One must do the wrong thing."

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Moon Dust


I shall find again the way to lose myself in the dusty trails of colour and sound. But, whenever I look up to the night sky, the Moon will be hanging there, shining through the dust. Far away, silent, complete.

terça-feira, 16 de julho de 2013

- Human beings are terrible messes, Andrew.
- I'll grant you that!
Como um acordar pode ser tão vazio?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

And I'm wailing at the moon, dreaming of her face... In silence, in secret, in me, in her.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mas não! Ao invés da loucura ou da morte renasce o espírito da sobrevivência pelos princípios. Se nada vale a pena? Nada, nada vale a pena. E no entanto o fazemos. Pela mesma fé que é traída vezes sem conta. Condenados a errar perante nós, mas a acertar perante o mundo, perante a integridade. Apenas não podemos esperar nada, pois, mais uma vez, estamos sozinhos.

A re-morte do ego, da esperança, o renascimento da luta vazia de fins, de meios, de conquistas, de cruéis homicídios da alma. A dedicação a um mundo em que já só se espera viver sozinho, sem recompensa se não a simpatia de quem o reconhece, e das ocasionais amáveis palavras de quem realmente nos importa. A morte do instinto, o renascimento do nado-morto, o óbito fettal que dará lugar à infinita paciência.

A desistência do próprio, para uma labuta do bem-estar.

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O meu único medo? Voltar a precisar de me banquetear na morte dos outros. Medo? Certeza. O veneno como propulsor do amor. O mel que permeia o lado negro da Lua. O mel que permeia o lado negro da Terra. O adeus de um, as boas vindas de outro.

Tudo, tudo muda.

Apenas nada podemos esperar.

Nada.

Nem a compreensão do mais próximo.

... Mas quando a temos, o mundo parece o mais belo.

Mas não é. Apenas uma ilusão de agradecimento.

E que se viva sozinho, se não se pode viver em verdade em comunhão. A meditação é o único verdadeiro meio.
Mas estamos todos completamente sozinhos! Um grande bem-haja para os que podem ter sustentada a ilusão de que isto é mentira! Porque são esses o que estão mais perto de transformar em verdade. A compreensão mútua, ou pelo menos sempre o benifício da dúvida, a confiança, a fé em algo em que não há razão para acreditar, e ainda assim se acredita, e se prova correcto.

Mas aqueles cuja fé é traída descem ao poço absoluto da solidão, e morrem, morrem vezes sem conta. As cores desapareceram. Tudo o que sobra é um pequeno inferno de lama. Afundado, um ser mal se consegue mover. Apenas o nariz de fora, e os olhos intermitentemente conseguem ver o tecto das masmorras do demónio do desprezo; pois o ser afunda e volta com o nariz e olhos à superfície, numa tortura, em milhares de funerais simulados.

E o ser que havia pensado ter quebrado as barreiras do organismo volta ao fundo. E com a morte do artista, vem a morte da arte. E tudo passará a ser o pesadelo daqueles cujos espíritos dançam. E passará a ser o que acha os outros loucos por não ouvir a música. Isto, ou invariavelmente enlouquecerá para se morfar noutro monumento vivo da cidade, a espalhar a paz pelas palavras, de roupa rasgada e hálito a veneno.


Espero, velho, que a tua loucura será a de veres uma musa, na verdade ausente, através da qual expressarás quase secretamente todos os teus pecados contra a vida vivida. Não perderes o fantasma constante. Porque do outro lado não há razão; apenas subjugação.

This is the end,
My only friend,
The end.
Nem a salvação é salvação. Nem o degredo é salvação. Nada é salvação. Apenas ilusões em cima de ilusões, umas mais inocentes, outras menos.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013


A descrição da apatia é normalmente tudo menos apática. Ou é "a salvadora", ou é "um ácido corrosivo", ou alguma metáfora adolescente, parva. O que é, deveras, engraçado. Mas será que algum de nós conhece realmente a apatia? Presumo que não.

Num registo mais sincero e auto-destrutivo, "que se foda".

A Varanda

E quantas ideias e filosofias nascem no topo, conjecturam as hipóteses, especulam as reacções, descem pela espinal medula, sobem na pele arrepiada e trémula, num jacto que embate de novo no topo e faz dar um salto! Salto assustador, salto perigoso, salto inadvertido, que por sua vez despoleta a reacção dos músculos a segurarem o pouco que têm para segurar! Quantas ideias, quantas filosofias, aquelas que nascem e morrem numa varanda do terceiro andar com os membros pendentes para o lado errado, com o sol a nascer laranja.

Depois dos elixires e dos vultos violentos esvoaçantes e cânticos incomumente comuns e palavras vãs interessantes - depois disto todo o movimento parece tão inconsequente, tão fácil de aceitar. Quão reles é o cérebro que se sente bem por não se sentir mal? Depois de ver os pés balançantes no ar, no meio de tantas verdades e tantas mentiras, ser um mutável por dentro e dez constantes por fora... Num breve momento alerta e consciente os sorrisos parecem suportar a teoria de que o mundo está a desabar. O que o segura? As palavras? Não, de todo - essas são apenas testemunhas vocais ou pintadas. Então?

Mas o dito momento de clarividência desaparece antes de uma resposta, e volta-se ao baixo QI de um animal ferido por correr contra espetos. Será que eram espetos? Já é tarde para tentar perceber isso.

Bom dia, boa noite.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Abandone-se a gravidade, pois os vermes emergem e, carnívoros, devoram os perdidos! Abandone-se o corpo, pois apodrece o casco e todas as entranhas escondidas sujarão as amargas ruas da cidade! Abandone-se a visão, pois a luz é dilacerante na retina! Abandone-se a razão, pois a mente arde e qualquer presente será náufrago!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mas não há nada que eu possa dizer que não seja uma mentira ou uma tristeza. Nada, para além do silêncio morto que me toma nalguns momentos, naqueles mais descansados. Um vácuo imenso, no qual o Sol não existe, a Lua não brilha, e o espírito não respira. Uma morte temporária, fria, confortável, desumana. Sem o peso de uma consciência, sem o peso de uma existência. E, apenas nesses momentos, me acho em paz. Nada importa, nada é verdadeiro, nada sinto, nada ouço, nada vejo, nada digo; apenas isso mesmo, o nada. Não há uma aceitação, pois não há nada a aceitar. Não há uma dor pois não há nada que magoe. Apenas a cidade, o andar, uma sensação ludibriada de consciência plena. Tudo cinzento. Tudo morto. E, no entanto, tudo pacífico.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Though I stand in mire,
I will speak distant fire.
Though I'm laid to ground,
I will walk through age and sound."

Doce Veneno Lunar

Uma paisagem de gigantes cinzentos cortados pelos tornozelos, sobram apenas ruínas onde a natureza força a sua reentrada, cobrindo a pedra de heras e plantas sobreviventes como guerreiras. O céu é também todo ele cinzento, mas o Sol tão mortífero, forte, que atropela as nuvens e bate violentamente nas paredes destruídas, passando no vão de portas e janelas. Nos raios que se fazem poderosos brilha o pó que nunca assentou e nunca assentará, à espera de ser reaproveitado para reconstruir o lar da tribo que um dia foi aqui abrigada.

Há uma grande avenida principal, pavimentada com o negro de alguma pedra vulcânica, lava fria, outrora magma que transportara as superfícies do mundo, umas contra as outras, originando outros vulcões, terramotos, destruindo outras tribos. Uma prova de que o planeta vive, e vive para matar. No fim da avenida há uma praça, que nem a lava se atreveu a desonrar. Pois no seu centro está a personificação da Natureza, imortalizada em pedra, o único ídolo feito por mãos de homens, em feminino, sob uma túnica o seu pequeno corpo, perfeito, tão forte e frágil, coroada por um aro de flores perpétuas. Aos seus pés uma folha gigante e côncava, de pedra, abraçava no seu colo um líquido, uma água temida mas amada, protegida dos próprios que se protegiam dela. A água negra da memória, o fim de uma vida e o nascimento de um símbolo, ou o fim do sofrimento e a cobardia da escapatória, essa sim esquecida. Transformaria outros em pedra, por uma luta, por uma palavra decisiva, ou pela dor da morte do pródigo filho, ou pela dor do decaimento do sonho. Ou pelo desprezo de uma igualdade vã e desconexa de um sentido, um suicídio póstumo.

À noite vem a Lua, e a sua magia afasta as nuvens para que possa brilhar sobre a alma dos esquecidos. E brilha, brilha sobre a água da memória, e banha a face da sua guardiã. E durante Lua cheia o vento sopra levemente nos limites da praça, onde foram erguidas as Paredes do Universo, com pequenas ranhuras, viradas para a estátua... E toda a praça se torna branca no escuro. Acorda o fantasma da estátua, noutra côr de pérola brilhante e translúcida, do espírito da tribo, a Natureza, leve e deslizante. E enquanto essa alma errante vagueia pela praça com os pés envoltos numa nuvem, o vento assobia a melodia do seu lamento. E a sua face humana revela-se, ao voltar copiosamente as costas ao mundo e olhando de frente para a estátua que a guarda, e o triste momento mais belo repete-se, como nestas noites de sublime magia gemida: as mãos brancas daquele espírito acariciam a face da sua estátua, enquanto regressa por um momento a memória do seu escultor, e aproxima-se da pedra fria. Um beijo enternecido acontece, procurando como sempre entender, a morte da tribo, o peso de se ser o Universo, a solidão nas ruínas, a prisão numa estátua. E de joelhos cai levemente, abraçando a taça aos pés da sua imagem, enquanto a brisa continua a cantar levemente a sua dor, as suas lágrimas. Estas caem negras na taça, e nunca evaporam. Pois são apenas as dela, as Lágrimas da Memória, ou o Doce Veneno Lunar.