sábado, 28 de dezembro de 2013

"Nem um poema, nem um verso, nem um canto,
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto."

Ary dos Santos

sábado, 21 de dezembro de 2013

Worms. Worms eating through me, drooling acid over my nerves.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Please, just don't let her go.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

E das suas costas escorre o sangue, num fino fio de doce substância. Mas de língua se faz a limpeza da ferida, que teima em se manter aberta e desejosa. Uma mão desce-lhe da cintura, enquanto outra, meio fechada, se arrasta da sua omoplata até ao pescoço, ao maxilar. Os dedos desenrolam-se nos seus lábios, e um beijo molhado capturou de mim a pequena roda azul. O que a distinguia eram os seus três X, dois atrás de um outro, maior, rei entre eles. Mal sabia eu que uma sua gémea viajava já na boca que antes me encontrara as falanges, deitando em mim também esse fruto químico, cuja potência e prazer fica apenas atrás da química dos corpos, mas somando-se-lhe.

E as mãos rolaram no mar orgânico, na massa dançante.

Apodyopsis

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O alçapão fecha-se atrás dela. Sua, mas não treme. Sente-se apertada, mas respira lentamente. O nervosismo estala pelos seus braços, enquanto a penugem se ergue electrificada. Não sabe se voltará a sair por onde entrou. No mundo em que se aventura não sabe sequer se voltará a sair.

Acende-se uma luz vermelha a um canto, mas por culpa das cortinas negras que lhe cobrem o brilho nada é desvendado aos seus olhos, se não a silhueta à sua frente. Recua, com o mesmo medo que lhe dá prazer. A sua cabeça tropeça em algo, aparentemente pendurado no tecto, antes das suas costas encontrarem a pedra estranhamente morna da parede. Os pêndulos invisíveis no escuro chocalham por momentos, com ruídos metálicos.

Os olhos habituam-se vagarosamente ao escuro, sem pressas de por a descoberto os mistérios dos artefactos que se lhe apresentam. Distingue uma mesa, em cujo tampo brilham superfícies decerto metálicas. Mas subitamente são-lhe tapados os olhos por uma venda aveludada, enquanto uma voz, também ela profundamente aveludada, lhe segreda: "sinto o teu sangue correr e as tuas sensações dispararem escorregadias - mas não quero ver os teus olhos revelarem-te o que te está reservado".

Ordenou que levantasse as mãos acima da sua cabeça. Com um leve empurrão da mão nas suas costas, deu um passo em frente e sentiu os seus pulsos serem aprisionados por algemas de novo aveludadas. "Mas será aqui tudo macio e simpático?" Antes que a desilusão lhe descesse pela espinha e revertesse os seus fluídos, a sua coxa sangrava. Em vez de um grito de dor, sentiu a sua coluna vibrar no arrepio do corte. E de novo as sinapses lhe levaram a sensação de algo leve deslizar por ela abaixo e acima na pele, até sentir um outro pequeno corte nas costas. Sem nunca perder contacto com a maciez, o seu corpo viu o misterioso objecto encontrar finalmente o seu nariz: era uma rosa.

"Porque te disse que te poderia fazer cair de prazer com apenas uma flor, e tu não acreditaste." Finalmente era reconhecido.
Pergunto-me se serão os meus pés tão descuidados ou as folhas tão suicidas.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ulysses

(...)

There lies the port; the vessel puffs her sail:
There gloom the dark, broad seas. My mariners,
Souls that have toil'd, and wrought, and thought with me —
That ever with a frolic welcome took
The thunder and the sunshine, and opposed
Free hearts, free foreheads — you and I are old;
Old age hath yet his honour and his toil;
Death closes all: but something ere the end,
Some work of noble note, may yet be done,
Not unbecoming men that strove with Gods.
The lights begin to twinkle from the rocks:
The long day wanes: the slow moon climbs: the deep
Moans round with many voices. Come, my friends,
'T is not too late to seek a newer world.
Push off, and sitting well in order smite
The sounding furrows; for my purpose holds
To sail beyond the sunset, and the baths
Of all the western stars, until I die.
It may be that the gulfs will wash us down:
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho' much is taken, much abides; and tho'
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven, that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Riso Amargo

Num desafio temerário e forte,
Eu quero rir da Vida, altivamente,
Da Vida que é combate, luta ingente,
Nesta comédia dum viver sem norte.

Quero rir da desgraça e da má-sorte
Que nos fere e persegue tenazmente.
Rir do que é baixo e vil, amargamente,
Do que é soluço e dor… E até da morte!

De tudo rir! Que mais posso fazer?...
Se a podridão de charco jamais volta
À limpidez das fontes a correr…

Quero rir!... E o meu riso é um esgar,
Um grito de impotência e de revolta!
Rir! Quero Rir!!

… E apenas sei chorar!

"The presence of absence."

"Personne. Je resonne. Repersonne. From what depth this re-nonsense? Woof, said the dog. A rush and a shuffle, and woosh-woosh went the door."

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"What they don't tell ya is that once time starts again, it moves extra fast to catch up with reality."

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


Que se derrame o ácido sobre a cabeça e o corpo!

Voltem, luzes sombrias, levem-me daqui nas vibrações irresistíveis e nos terramotos que provocam!

domingo, 1 de dezembro de 2013

"The problem was, she didn't exist."