Hemoasfixia, de pulmões murchos após expirar um último fôlego do que já foi inspiração. Hoje, gárgulas quiméricas cobertas de lama que te chamam de volta. Cobertas de lama, e ainda assim gárgulas cuja forma grotesca permitiu cobrir de folhas amarelas e vermelhas um Outono que cantaste na Primavera e eu ouvi. As aranhas que me enrolaram e silenciaram no fim do mesmo Outono soltam-me agora para que possa desesperar enquanto vejo de novo fugir a sanidade silenciosa que me ia salvar num barco longe de ti, mas ornamentado pelas conversas casuais, palavras despidas de sentido e recheadas dele.
Se não mais serei capaz de deixar palavras brutamente construídas e adolescentemente engarrafadas para ti; se não mais te comunicarei a desfaçatez da minha pele ao deixar-me; se, como esperas e eu tento derradeiramente aceder, o silêncio de mim para ti se fizer abater sobre o ruído das minhas cordas vocais; lembra-te - tempestades não erodem as palavras que escrevi em pedra.
Não esperarei, mas se olhares estarei concerteza a teu lado, e terás na mão o teu próprio convite à conversa.
Sem comentários:
Enviar um comentário