sábado, 25 de janeiro de 2014

Hemoasfixia, de pulmões murchos após expirar um último fôlego do que já foi inspiração. Hoje, gárgulas quiméricas cobertas de lama que te chamam de volta. Cobertas de lama, e ainda assim gárgulas cuja forma grotesca permitiu cobrir de folhas amarelas e vermelhas um Outono que cantaste na Primavera e eu ouvi. As aranhas que me enrolaram e silenciaram no fim do mesmo Outono soltam-me agora para que possa desesperar enquanto vejo de novo fugir a sanidade silenciosa que me ia salvar num barco longe de ti, mas ornamentado pelas conversas casuais, palavras despidas de sentido e recheadas dele.

Se não mais serei capaz de deixar palavras brutamente construídas e adolescentemente engarrafadas para ti; se não mais te comunicarei a desfaçatez da minha pele ao deixar-me; se, como esperas e eu tento derradeiramente aceder, o silêncio de mim para ti se fizer abater sobre o ruído das minhas cordas vocais; lembra-te - tempestades não erodem as palavras que escrevi em pedra.

Não esperarei, mas se olhares estarei concerteza a teu lado, e terás na mão o teu próprio convite à conversa.

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