Corre a lama no leito abraçado pelas raízes sobressaídas desses colossos, corre a lama. Revolve e revigora o solo, mas leva também as sementes dessas flores assexuadas que se clonam e clonam - sempre vulneráveis à mesma doença, sempre florescendo pela mesma razão. Onde foram os pássaros que nas palavras polonizavam a rasteireza da floresta? E com eles, que é das fadas de negras botas e elfos de pupilas dilatadas?
Foram embora. Exasperaram o seu caminho de volta ao betão, e do betão a outra floresta. Porque as árvores falaram, mas as palavras de nada servem. Caem secas como os ramos, enterrando-se na lama que corre. Não existe lama renovadora que valha um Inverno sem fim.
Mas aí está: a lama vem na Primavera, aquando do degelo, arrastando as pétalas precoces, transportando as mesmas sementes que rouba, depositando-as - na mesma floresta. E alimenta-as enquanto seca, nas suas dores de crescimento, para que possam um dia olhar para o céu e ver - o céu já foi ocupado pelas copas nascidas das raízes que moldam o leito da lama.
Valha-nos o musgo, que observa, ora verde, ora cinzento...
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