O meu Eu morreu.
Morreu quando as bruxas das poções mágicas emigraram para poderem comprar os ingredientes. Morreu quando quem me ajudava a cuidar dos doentes emigrou para cuidar de seres longínquos. Morreu quando eu emigrei e deixei de ver as fadas e as cores dos bosques da fantasia, em que as copas das árvores revelavam um mundo sem fim. Morreu quando morreu a melodia do assobio na floresta.
Sou eu num quarto cinzento, com um Bukowski (leia-se "whisky") à frente, com um Waits (leia-se "cigarro") nos lábios, mas sem uma Lolita, uma Curie, uma Joplin, uma Flauta Mágica. Como me poderia dizer eu um ser completo - o meu sonho - se tenho apenas metade de mim? Até o mundo que ficou - sejamos honestos, quase todos ficaram - é pequeno e pouco ambicioso, com todos os voluntariados, e todos os desejos quanto a fazer parte de um mundo pequeno e ajudar os mais pequenos.
Ensine eu os vocábulos do Inglês e as cifras da Matemática, e nada me parecerá valer a pena. Serei, no maior dos sonhos possíveis hoje, um instrumento do mundo, e não um conhecedor dele.
Todas as minhas inspirações deixaram para trás um papel incompleto na minha alma, papéis que devo seguir e completar. Mas, na minha eterna infância, que será de mim sem ninguém do meu próprio público a apreciar?
O mundo morreu, e com ele, morri eu.
E cada um dos mundos que morreu comigo gera um novo mundo, sem mim, com o tom mais inócuo da minha voz. Não gerei mundo nenhum, e aparento ter deixado os mundos que tinha para gerar.
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