Levanta-te de novo, anjo da unidade e perfeição, levanta-te de novo e torna o mundo perfeito. Levas todas as células ao suicídio, os corpos em que tocas liquefazem-se. Enchem esse teu cálice de uma nova ascensão, alimentada pelo pecado humano da existência, catalizado pela desistência das pessoas nas pessoas, como pessoas. Ergue-te da terra e recolhe o ovo humano, sente a ira entrar em ti enquanto nos comes, sente o teu interior a explodir, e a tua pele a resistir: o teu corpo, nossa casa, um novo universo de sangue para que as guerras sejam travadas mentalmente e a morte seja uma única, a da humanidade a lutar contra si própria.Morre, mundo. Que raça é esta que corrói tanto o espírito como o corpo, usando água benta para afogar, liberdade para prender, verdades para enganar, e riqueza para empobrecer? Hoje capitalizas o valor humano. Não matas menos que eu só por não seres tu quem tem a faca. Se deixas morrer, declaras a tua vontade perante o mundo - o problema não é teu. Tu também não és problema do mundo, por isso matar-te-ei aqui, e ninguém te virá ajudar. Desta forma o mundo será sangrado, virando costas a hipocrisias.
Este anjo será a nossa salvação, o fim dos nossos pecados, o regresso à terra e às plantas. Somos o nosso próprio deus, nós próprios comandamos o destino da humanidade, e quem vive controla a forma como morrem todos os que morrem injustamente. Somos omnipotentes. Mas teremos que tirar a pele aos omniscientes para que possamos ver o que vai dentro deles, os conhecimentos que não partilham, a comida que recusam aos esfomeados, o abrigo que recusam a quem dorme ao relento, a vida que recusam a quem está a morrer. A ti, intlectual: os trocos que te caem dos bolsos representam as famílias que matas com a tua preguiça e apatia.
E a humanidade decide o seu destino. Se o tempo mostrar que o rumo é constante, a morte será épica, afogados nos oceanos, fulminados por relâmpagos, esmagados pela nossa própria ignorância, enquanto o sangue sobe às gotas enchendo o cálice da vida com o sabor da nossa morte, e sendo bebido pela representação abstracta da nossa própria decisão de morrer. Um monumento mental, que morrerá connosco, servindo apenas para nos reconfortar no caminho até às portas do inferno, dando-nos a ilusão de sermos grandes. Se fossemos grandes não morreríamos. Se fossemos grandes não mataríamos. Se fossemos grandes ninguém imaginaria um anjo bebendo o sangue da humanidade para representar os erros ridiculamente grandes do excesso de poder, do dogmatismo, das religiões - em suma do egoísmo, do egocentrismo, do medo e da apatia. Dos meus erros, e dos teus. O cálice da vida cairá, sem ninguém que se importe o suficiente para o apanhar. E assim a terra será tingida de sangue, de morte.
Arestas arestas e mais arestas.
ResponderEliminarDiz-me tu, personagem do anonimato, de que arestas falas? Se queres ensinar terei todo o gosto em aprender, mas velhos do Restelo e treinadores de bancada em nada ajudam e só demonstram a mesquinhez portugesa.
ResponderEliminar- Um velho senta-se, bebe a sua meia de leite e lê. Resmunga.
"Aqui não diz nada." - (Se quiseres descobre isto no final de um dos textos anteriores.)
Força, ajuda-me.
Se eu fosse treinador de bancada dir te ia que arestas se assemelham á tesão do mijo. Se estivesse sentado na praia do Restelo(conheces?)diria que arestas são excelente carne para canhão. Agora se as cartas são para uso pessoal porque as escreves? Se não gostas dos teus leitores ignora-os. Se queres ser ensinado sê aprendiz. Ou será que tens dificuldade em perceberes o que dizes? Fala para as pessoas, caga nos deuses e nos mitos.
ResponderEliminarNão, nunca estive no Restelo, mas o uso da expressão foi óbvio (apesar de errado, como mostraste). Quanto a "treinador de bancada", continuo na minha posição (quanto ao teu comentário anterior).
ResponderEliminarAs cartas não são para uso pessoal, apenas a forma como me expresso o é. Escrevo porque me dá prazer, publico porque pode ser que faça algo na mentalidade de quem as lê (por menos que seja), e porque sinto-me bem ao partilhar-me com quem lê. Com isto também te digo que gosto dos comentários que puxam estas conversas - que neste blog primeiraste - além de gostar de saber a opinião, especialmente quando é crítica.
Quanto a ser ensinado, não concordo contigo; estou disposto a aprender, mas não que me imponham algo. Ouço e leio opiniões e conselhos, posso ou não concordar com eles e segui-los. Para mim aprender significa ouvir o máximo desses conselhos e distinguir os que considero úteis e os que não.
Quanto a cagar nos deuses e mitos, mais uma vez, é apenas algo pessoal. Não criei este blog com uma perspectiva interventiva, e quando existe intervenção de alguma forma é uma característica e não um objectivo.
Obrigado por seres atento. Conheço-te?