segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Insónia

 A insónia impele-me a escrever de novo neste antro de ilusões alusentes à desilusão que tenho no mundo. E o descontentamento, a par com a vã esperança, até a própria tristeza dá a mão à felicidade e me faz voltar aqui - tudo isto comandado ainda pela inspiração de alguém que defende a criação de valores. Tudo isso me comanda a que vos venha falar hoje noutro tom e noutras palavras.

 Mas não é da criação de valores ou da tristeza ou da esperança que quero falar. Nem sei bem o que sairá daqui, mas pouco importa, mais umas linhas de verborreia às quais no fim e apenas no fim darei um título.

 Os meus pensamentos mudaram, sobre as mesmas bases, mas com colunas que suportam objectivos mais altos. Em primeiro, sinto-me à vontade em dizer que onde antes via igualdade, hoje afirmo que vejo apenas igualdade de direitos. As pessoas não são iguais. São poucas as que aspiram a algo mais que uma profissão, uma vida, uma família, um bem-estar seguro. E os que de coração sabem ser bons e justos não o são por mais que a auto-satisfação. Não o censuro, apenas retirei de um autor o seu íntimo quanto a tal pensamento: porquê ficar tão baixo? Não é por o mar descer incansavelmente na sua profundidade que nos devemos conservar à superfície. É certo que ilhas são montanhas que souberam sair de tais profundezas; mas e as montanhas que tiveram a sorte de nascer num continente? Porque não escalá-las, elevarmo-nos ao longo não da nossa vida mas ao longo dos tempos, como espécie inteligente, como animal único possuidor de um instrumento chamado mente?

 Talvez afinal fale um pouco de criar: a alegria que talvez imaturamente vejo na paternidade é criar um filho que nos ultrapasse. Mas para tal temos que nos ultrapassar a nós próprios, apenas dessa forma poderemos entender porque sermos ultrapassados não é mau, mas útil e construtivo. E ainda para nos ultrapassarmos devemos esquecer (não de todo) o nosso passado, destruir o nosso presente, e não mais que sonhar um sonho mutável quanto ao futuro. Apenas dessa forma conseguiremos aspirar a entender o que e quem somos, qual o nosso verdadeiro poder, qual a nossa grande virtude, e sim, quais os nossos verdadeiros valores.

 Mas não é algo que aconteça por acontecer, a não ser a uma mão cheia de espíritos afortunados que duvidaram da luz que lhes dão quando esta os cega. Exige vontade - que todos temos. Exige força - que todos temos. Exige coragem - que é preciso descobrir em primeiro lugar para que possamos descobrir as outras duas. Enfrentar o medo, pensar o êxtase, e nada deixar que seja julgado à sombra destas duas reacções para que o nosso corpo tende. Afinal, a mente pode ser um instrumento do corpo; mas o que é a mente senão a conquista do nosso corpo sobre si próprio? Não devemos desprezar nenhum dos dois, pois sem um, o outro não é nada.

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 Talvez alguns dos poucos que poderão ler isto reconhecerão a personalidade que me influencia maioritariamente de momento. Mas tanto a esses como aos outros tenho algo a dizer. Não que necessite da vossa aprovação para me sentir bem quanto às idéias que profiro. Mas vos asseguro que por mais inspiração que as palavras possam ter no pouco trabalho que conheço de Nietzsche, o que elas dizem ja antes residida em mim. E com isto não quero dizer que o sigo ou idolatro. Vejo-o acima de mim, mas com tantos defeitos quanto qualidades que também não vejo em mim. E muito do que penso ainda não o sei expressar da forma que mais quero. Mas tenho a agradecer-lhe a inspiração e a facilidade que me deu ao escrever estes parágrafos. Apesar de tudo nenhum título mais certo encontrei que o que vêem.

6 comentários:

  1. Nietzsche, what else?..

    Enquanto precisares de ler nietzsche para tirares conclusões óbvias.. tens razão, poderás sempre vê-lo como acima d ti xD

    E ultrapassares-te a ti próprio embora seja uma espécie de "metáfora" ou o que lhe quiseres chamar.. não faz qualquer tipo de sentido. Podes evoluir mas nunca te vais ultrapassar.(sim isso significa passares a frente de ti próprio, o que pelo próprio conceito é estupido.)

    De qualquer dos modos isso é o que acontece quando "idolatras" um idiota xD xD irony ftw xD xD

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  2. Já lias algo sobre o homem antes de achares que tens uma opinião sobre ele. E opiniões óbvias não vais encontrar muitas de certeza.

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  3. "Já lias algo sobre o homem antes de achares que tens uma opinião sobre ele."

    LOL Ter ou não opinião, não está de qualquer modo relacionado com o que leio ou não sobre ele.

    Mtas das opiniões(senão todas) que falas sobre ele são perfeitamente óbvias.. e mtas são puramente simplisticas.

    Já agr axo k não há um "camelo no deserto" que não saiba a lenga lenga do ter a sua propria opiniao. Havera no entanto, certamente mtos, k não entedem as subtilezas nisso.

    E se não entendes, é porque não entendes. x)
    (flame war! xD)

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  4. A mente humana e o indivíduo como centro do Universo

    Eis o motor fundamental da mentalidade do Homem e dos restantes animais: o egoísmo. Esse impulso à existência e bem-estar do indivíduo é a base de praticamente todos os outros instintos; a raiz da nossa mente, um factor ilimitado que leva o homem a querer conservar a sua existência e obter a maior quantidade de prazer possível através de quaisquer meios ao seu alcance. “Tudo para mim, nada para os outros.” é o lema que rege, silenciosamente, cada indivíduo.

    Todos obstáculos ao ímpeto/impulso do egoísmo do Homem são vistos por ele como “inimigos”. Falando na primeira pessoa, mas sem deixar de aplicar a ideia a todos: qualquer um que se oponha à minha desditosa busca pela felicidade desperta em mim o mau estar, a minha ira, o meu ódio – “O inimigo deve ser aniquilado!”

    Assim vivemos nós, destruindo-nos, aniquilando-nos mutuamente em busca de uma felicidade impossível. Como eu já disse: “este mundo é a dor”, o único e verdadeiro inferno e nós não somos mais que os demónios desse inferno, atormentando-nos mutuamente com um objectivo que nem objectivo é. Isso mesmo, muitas vezes tentamos auferir a felicidade arruinando o próximo – que objectivo é esse? A felicidade já por si só é inalcançável, quanto mais será se impedimos o seu alcance para o próximo? Somos “Sísifos” diabólicos encarnados no real, lançados neste mundo para simplesmente viver como marionetas cujos fios são puxados pelo egoísmo.

    Claro que há pessoas que praticam o bem, mas praticam-no porque o desejam. Ou porque se sentem bem quando o fazem ou porque terão algum benefício próprio seja ele monetário, emocional ou a entrada no paraíso. Acordem para o real: quem faz o bem, fá-lo porque o quer. Jesus Cristos só existem nas histórias e mesmo eles agem em prole dos seus objectivos.

    Não pretendo defender que o egoísmo é mau ou que não devemos ser egoístas.O egoísmo é um dos males necessários que constitui a vida do Homem (e o que é a vida senão um conjunto de males “necessários?). Se o egoísmo, o motor da mente, não existisse, seríamos desprovidos de vontades e de desejos por satisfazer. Se isso acontecesse, o Homem tornar-se-ia num pedaço de carne ambulante sem qualquer motivação cujas acções ou não ocorreriam, ou seriam como que actos aleatórios. Sem egoísmo (refiro-me a egoísmo como impulso de desejarmos e lutarmos pelo nosso próprio bem seja de que modo for), não desejaríamos a felicidade própria, o que implicaria que não tivéssemos quaisquer vontades, já que o objectivo destas é sempre a busca ilusória pela não dor e pelo não tédio.

    Somos trazidos a este mundo com uma finalidade vazia. Somos largados neste inferno e cabe-nos a nós arranjar “objectivos”, supostamente atingíveis, que perseguiremos durante o tempo que nos dispõe para tal – até que a morte nos (se)pare. Durante essa perseguição (que não merece outro nome senão perseguição) somos induzidos a acabar com quaisquer obstáculos que se oponham entre nós, os predadores, e os objectivos, as presas. É devido ao cruzamento de perseguições que surgem muitos dos “males” portadores de sofrimento para o Homem. Esses males são apenas maus para quem com eles sofre e autênticos momentos de alegria para quem deles obtém benefício. O papel de quem ganha ou perde com esses males está constantemente a ser invertido: agora sofro eu e tu beneficias; agora sofres tu e eu beneficio; etc. etc. etc. Aqui têm um dos “divertidos” jogos a que a vida, a natureza se acomodou a dispor: faz o que te faz menos infeliz e inferniza quem se opõe ao teu ímpeto.

    O ímpeto básico ramifica-se em muitas mais veias sebentas e nefastas da mentalidade da diabólica besta humana. O que nos faz agir provem em grande parte dele. É o egoísmo que move as montanhas, que cria e destrói mundos, sonhos, deuses, demónios e religiões. Ele governa furtivamente esta sociedade que tanto o tenta ocultar em vão.


    O_ANTICRISTO

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  5. Seria hipócrita se me pretendesse elevar acima do egoísmo, ou fazer-te acreditar que o queria. Concordo contigo, mas falta-te algo aí... Tanto o egoísmo é o nosso motor, que nem ele nem o altruísmo existem. Se esses conceitos fossem opostos, se o bem pela sociedade fosse oposto ao bem pelo indivíduo, não teríamos evoluído, nem nós nem muitos outros animais. Isto tirei do pensamento de Kropotkine.
    Não que te queira corrigir ou completar, apenas mais um comentário...

    O que tento mostrar no texto é um motivo de felicidade, se lhe quiseres aplicar o egoísmo é simplesmente ser egoísta o suficiente para subir sempre mais alto até nos podermos sinceramente considerar acima de tudo. Se toda a gente o fizesse, a mentalidade evoluiria, deixávamos de ser super-chimpanzés.

    E se aspiro a essa luta, é pelo meu bem estar. E se quero o bem estar dos outros, é por minha própria vontade, sentir-me-ei bem se me vir com razão e trouxer algo de útil às pessoas. Mas até agora apenas transcrevi, ainda não trouxe nada de novo.

    E tu, é pelo teu bem estar que te manténs anónimo?

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  6. No fundo é isso que todo o estudioso pratica"aprender e transcrever". Há quem diga a aptidão para se ser como é pode ser não só fruto de uma vontade consciente e libertadora mas tambem uma consequência genetica. Ser-se compelido mais parece uma maldição. E todo o criador parece ter sido amaldiçoado. Tú não me conheces eu não te conheço um nome fáz alguma diferença? Opostos ou complementares gosto de nos imaginar tú e eu como dois espiritos livres.

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