Desfazia-te o corpo, afogava-te a alma, para te ver prostrada aos meus pés e agarrada aos meus joelhos. Fazia-te beber da tua fonte até vomitares as memórias, ao lado de campas com que te compararia. Escavava até encontrar o desprezo que deveria manter. E, enquanto isso, rasgava pescoços e membros, até ver os animais vadios soterrados num mar de braços e pernas, cabeças gorgolejantes, cabelos encarnados de sangue. Queimava todas as árvores, silenciava todas as aves, cortava todas as cordas, rachava todos os cascos, matava todos os carrascos. Arrancava-te as lágrimas, e silenciava o mundo para te ouvir chorar, num desejo tão macabro, culpado, e abjecto que se torna numa fantasia quase sexual.
Se não vens para a minha beira,
Se não vens para a minha beira,
foge.
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