Incrível como as pessoas se separam do que são. E ainda bem que o fazem. Deixam fotografias de sensação, sem imagem, fotografias conceptuais do seu espírito e alma. E, em certos casos, em que as pessoas se vão, puxados pela (ou atirados contra a) mudança, de direitos, de deveres, de preocupações - de personalidade - ficam as fotografias, intocadas, belas. E nos momentos de sorte esquecemo-nos que fazem parte apenas do passado - e por entre esses momentos, os melhores, acabam despercebidos.
E deixamo-nos de nos chatear, e deixamo-nos de nos zangar, porque as fotografias estão sempre lá e ninguém as pode alterar mais do que já o fizemos. Tornam-se mais reais do que as próprias personagens que figuram olhares e sorrisos. E, um dia, quando o mundo for ruínas, a água estiver morta, a terra estéril, ainda vão voar essas fotografias, coloridas, sem ninguém para as apreciar.
Sem comentários:
Enviar um comentário