Os cantos desses olhos pertencem apenas ao passado.
Mas o passado olha por cima do meu ombro, e vejo-o, pelo canto do olho, os cantos dos olhos.
Uma noite comum também para os meus olhos, que vêem a tinta do que não escreveram a escorrer, borrada pelas macabras gotas que caem do céu. Aí sim, as intenções se tornam palavras: molho a pena na chuva negra, firo a minha língua, e com a boca e a pena em sangue, transmito as palavras que me iam nas veias mas que a língua não queria soltar.
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