sábado, 23 de agosto de 2014


Deprivado de um mundo exterior, olhava, e não havia fundo. O silêncio transformava-se no ruído de um rádio sintonizado no nada, pela pele sentia o palpitar das artérias, o vibrar incontestável de um diapazão que afinava o mesmo silêncio.
E como num gira-discos relaxadamente à procura do ritmo das rotações, o mundo vem ao de cima. Nada mais do que o despejar da companhia num copo, o momento entre duas gargalhadas, para sempre perdido entre o "ha" e o "ha". Esvaziam-se os pulmões, desprovidos de energia; até que de novo inspiram, num ciclo monótono escondido pela vibração que provocam nas cordas vocais. E mais um gole, para manipular a condição da própria condição de cada um.

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