A tragédia no álcool é gaguejar melodramaticamente aquilo que é indescritível. Dissecar com bisturis em mãos débeis e inaptas linhas tremidas na mente, cortando inadvertidamente ora um neurónio aqui, ora uma artéria acolá. É sujo. É deveras humano, mas no pior da sua verdade. A nudez do que se vestia roto, atirada a roupa para o lago juntamente com o discernimento. E aí vemos o que são os humanos. E quem somos como humanos.
Na manhã seguinte - ou na tarde, para os nadadores tardios - acordamos a flutuar no mesmo lago. Tomamos banho, secamo-nos, vestimo-nos, e pensamos "o lago parece ter ficado ainda mais sujo", o que nos faz desculparmo-nos desta forma ridícula. Quão pesadas são as penas das palavras.
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