Entro numa floresta tropical da quinta dimensão cada vez que me vens ao pensamento. A chuva cai naturalmente, pesada e negra, escorrendo de cada folha, memórias que me ocorrem sem como nem porquê. Sinto a saudade a mordiscar pedaços de mim, como se me comesse às migalhas. Do simpático chilrear destas águias parece que saem palavras duras e mortíferas, como as tuas. Atraentes, melodiosas, fatais.O intenso cheiro a pele molhada pela chuva e as belas carcaças andantes movidas por uma alma animal... Lembram-me os teus passos lentos, calmos, a tua classe inocentemente sensual. Uma pantera passa com um cigarro na boca, e és tu. A arma letal que ronronava nas minhas pernas, pedindo por atenção. Quando não a conseguias ronronando, vinhas nesses passos leves com os dentes prontos a tirar-me a vida atacando-me no pescoço. E que saída tinha eu se não render-me ao poder de dar e tirar vidas? E rendia-me com orgulho.
As teias de aranha estendem-se pelas árvores, e as gotas de chuva nelas presas reflectem a lua. Teias das quais as nossas roupas foram tecidas ao longo do tempo. E tudo deixo à guarda dessa longa teia que te veste. E as aranhas que me povoam, em coro uivam uma serenata à lua, interrompendo em todo o lado o ruído das gotas que caem. A floresta pára para ouvir o som da tua chegada, e espera em silêncio sob a chuva a oportunidade de te cheirar de novo. Mas limitas-te a ver a água a escorrer na tua janela, vendo do outro lado do vidro a floresta onde sonhas viver mas tens medo. E de vez em quando, em silêncio, ficas a noite inteira a apreciar o uivar destas aranhas por entre a chuva.
Numa floresta em que as aranhas uivam, as panteras fumam, e as águias cantam belas melodias, tu existes, e usas as teias das nossas palavras encostadas à tua pele. Nunca comigo, mas sempre em ti. Afinal, nem sequer existes. És apenas a alucinação que vai e volta à cabeça de um esquizofrénico, o escape para um céptico de vez em quando acreditar que há algo que muda todas as regras da física, toda a lógica que rege o dia a dia. Mas nada mais que um desejo tão forte que leva ao delírio.
Um dia, se decidires passear por entre esta floresta, traz o vestido das teias que foram tecidas, arrasta-o pela chuva e pela lama. Verás que não rasga nem suja.
As teias de aranha estendem-se pelas árvores, e as gotas de chuva nelas presas reflectem a lua. Teias das quais as nossas roupas foram tecidas ao longo do tempo. E tudo deixo à guarda dessa longa teia que te veste. E as aranhas que me povoam, em coro uivam uma serenata à lua, interrompendo em todo o lado o ruído das gotas que caem. A floresta pára para ouvir o som da tua chegada, e espera em silêncio sob a chuva a oportunidade de te cheirar de novo. Mas limitas-te a ver a água a escorrer na tua janela, vendo do outro lado do vidro a floresta onde sonhas viver mas tens medo. E de vez em quando, em silêncio, ficas a noite inteira a apreciar o uivar destas aranhas por entre a chuva.
Numa floresta em que as aranhas uivam, as panteras fumam, e as águias cantam belas melodias, tu existes, e usas as teias das nossas palavras encostadas à tua pele. Nunca comigo, mas sempre em ti. Afinal, nem sequer existes. És apenas a alucinação que vai e volta à cabeça de um esquizofrénico, o escape para um céptico de vez em quando acreditar que há algo que muda todas as regras da física, toda a lógica que rege o dia a dia. Mas nada mais que um desejo tão forte que leva ao delírio.
Um dia, se decidires passear por entre esta floresta, traz o vestido das teias que foram tecidas, arrasta-o pela chuva e pela lama. Verás que não rasga nem suja.
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