Silhuetas brancas caminham translúcidas, como quem afinal estava apenas na mente. Seres imaginários que fazem companhia, as sombras brancas, inexistentes. O palpável e o real querem desvanecer, o som é cada vez mais ténue, sobram lábios vagueantes e sobrancelhas expressivas que parecem não dizer nem ver nada. As cores são mais escuras, o tempo parece passar mais lentamente mas discreto, não dando pelos dias e pelas semanas a esconderem-se umas por trás das outras. Sensação funerária para quem já não ouve, mas disfarça lendo os lábios, pela surdez fala absurdamente alto. Como quem se vai embora mas não se pode despedir. Como quem está nu mas completamente pintado. Ninguém vê nada, mas ainda assim a vergonha existe.
sábado, 24 de agosto de 2013
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário