O alçapão fecha-se atrás dela. Sua, mas não treme. Sente-se apertada, mas respira lentamente. O nervosismo estala pelos seus braços, enquanto a penugem se ergue electrificada. Não sabe se voltará a sair por onde entrou. No mundo em que se aventura não sabe sequer se voltará a sair.
Acende-se uma luz vermelha a um canto, mas por culpa das cortinas negras que lhe cobrem o brilho nada é desvendado aos seus olhos, se não a silhueta à sua frente. Recua, com o mesmo medo que lhe dá prazer. A sua cabeça tropeça em algo, aparentemente pendurado no tecto, antes das suas costas encontrarem a pedra estranhamente morna da parede. Os pêndulos invisíveis no escuro chocalham por momentos, com ruídos metálicos.
Os olhos habituam-se vagarosamente ao escuro, sem pressas de por a descoberto os mistérios dos artefactos que se lhe apresentam. Distingue uma mesa, em cujo tampo brilham superfícies decerto metálicas. Mas subitamente são-lhe tapados os olhos por uma venda aveludada, enquanto uma voz, também ela profundamente aveludada, lhe segreda: "sinto o teu sangue correr e as tuas sensações dispararem escorregadias - mas não quero ver os teus olhos revelarem-te o que te está reservado".
Ordenou que levantasse as mãos acima da sua cabeça. Com um leve empurrão da mão nas suas costas, deu um passo em frente e sentiu os seus pulsos serem aprisionados por algemas de novo aveludadas. "Mas será aqui tudo macio e simpático?" Antes que a desilusão lhe descesse pela espinha e revertesse os seus fluídos, a sua coxa sangrava. Em vez de um grito de dor, sentiu a sua coluna vibrar no arrepio do corte. E de novo as sinapses lhe levaram a sensação de algo leve deslizar por ela abaixo e acima na pele, até sentir um outro pequeno corte nas costas. Sem nunca perder contacto com a maciez, o seu corpo viu o misterioso objecto encontrar finalmente o seu nariz: era uma rosa.
Acende-se uma luz vermelha a um canto, mas por culpa das cortinas negras que lhe cobrem o brilho nada é desvendado aos seus olhos, se não a silhueta à sua frente. Recua, com o mesmo medo que lhe dá prazer. A sua cabeça tropeça em algo, aparentemente pendurado no tecto, antes das suas costas encontrarem a pedra estranhamente morna da parede. Os pêndulos invisíveis no escuro chocalham por momentos, com ruídos metálicos.
Os olhos habituam-se vagarosamente ao escuro, sem pressas de por a descoberto os mistérios dos artefactos que se lhe apresentam. Distingue uma mesa, em cujo tampo brilham superfícies decerto metálicas. Mas subitamente são-lhe tapados os olhos por uma venda aveludada, enquanto uma voz, também ela profundamente aveludada, lhe segreda: "sinto o teu sangue correr e as tuas sensações dispararem escorregadias - mas não quero ver os teus olhos revelarem-te o que te está reservado".
Ordenou que levantasse as mãos acima da sua cabeça. Com um leve empurrão da mão nas suas costas, deu um passo em frente e sentiu os seus pulsos serem aprisionados por algemas de novo aveludadas. "Mas será aqui tudo macio e simpático?" Antes que a desilusão lhe descesse pela espinha e revertesse os seus fluídos, a sua coxa sangrava. Em vez de um grito de dor, sentiu a sua coluna vibrar no arrepio do corte. E de novo as sinapses lhe levaram a sensação de algo leve deslizar por ela abaixo e acima na pele, até sentir um outro pequeno corte nas costas. Sem nunca perder contacto com a maciez, o seu corpo viu o misterioso objecto encontrar finalmente o seu nariz: era uma rosa.
"Porque te disse que te poderia fazer cair de prazer com apenas uma flor, e tu não acreditaste." Finalmente era reconhecido.
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