sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Lua, num quarto minguante fino, cortante, impossívelmente grande e amarela, por trás da neblina. E ao alto as estrelas, na noite cerrada. Dezenas - não, centenas - de pontos brilham entre um ponto e outro, como se as estrelas chovessem do paraíso no firmamento ao inferno na Terra. E, entre o desespero e as lâminas enferrujadas, um último suspiro abençoado pela paz conformada do sonho dentro do sonho. Uma paisagem bela. E um vermelho cai, tintando a visão lentamente, e tudo se esbate e desfoca, e tudo desvanece.

Trinta e quatro falsos anjos em pé nas dunas de areia negra cantam a perdição das almas sujas. Vozes dissonantes contra as ondas perfuram a água e chamam-nos, para ao amanhecer nos descobrirmos afogados. E as ondas não voltam para nos retornar a terra. E assim permanecemos entre eles nas dunas, na costa, à espera, sempre à espera.

Estranhas visões invadem-me as noites.

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