A garganta arde ferozmente enquanto o corpo fica dormente, respirar torna-se difícil, e a pele cai. Corpo humano exposto, paralisado, em constante queda. O mal que se retinha debaixo da pele caiu com a mesma, escorreu no ácido, derreteu numa espécie de sopa orgânica na qual o cadáver vivo está banhado, imóvel, mas sentiente.
E olho os céus. Voam os dragões, gigantes, entram nas nuvens e estas tornam-se mais brancas e rarefeitas pelo calor que emana das suas gargantas. É belo. Deixam um rasto de vapor quando saem delas, enquanto inspiram o ar e expiram fogo. Uma ponta de mim admite: odeio-os tanto, de escamas brilhantes, lagartos alados, rubros, poderosos. Que com a pele caia essa ponta de mim, que me seja permitido regenerar e recuperar o controlo, para um vôo pacificamente violento ao lado dessas criaturas. Pois os amo, são os meus demónios, são-me tudo, fazem-me fazer o bem, tentam-me a fazer o mal. Mas os produtos secundários que depositam no meu corpo nem sempre são leves, e sei ser minha a culpa. Seria fantástico voltar a esquecê-los por um momento, mas cada um desses momentos me arrasta para um poço, fundo, cheio de vida, em direcção à morte. Dominá-los por completo seria arrastar tudo desse poço cá para fora, tornar tudo mais eterno, mais seguro. Com o devido espaço, a morte seria apenas outro ser que vagueava demorada (mas nunca o suficiente), entre as árvores, à caça de Adão, de Eva.
E olho os céus. Voam os dragões, gigantes, entram nas nuvens e estas tornam-se mais brancas e rarefeitas pelo calor que emana das suas gargantas. É belo. Deixam um rasto de vapor quando saem delas, enquanto inspiram o ar e expiram fogo. Uma ponta de mim admite: odeio-os tanto, de escamas brilhantes, lagartos alados, rubros, poderosos. Que com a pele caia essa ponta de mim, que me seja permitido regenerar e recuperar o controlo, para um vôo pacificamente violento ao lado dessas criaturas. Pois os amo, são os meus demónios, são-me tudo, fazem-me fazer o bem, tentam-me a fazer o mal. Mas os produtos secundários que depositam no meu corpo nem sempre são leves, e sei ser minha a culpa. Seria fantástico voltar a esquecê-los por um momento, mas cada um desses momentos me arrasta para um poço, fundo, cheio de vida, em direcção à morte. Dominá-los por completo seria arrastar tudo desse poço cá para fora, tornar tudo mais eterno, mais seguro. Com o devido espaço, a morte seria apenas outro ser que vagueava demorada (mas nunca o suficiente), entre as árvores, à caça de Adão, de Eva.
Tão belos, os dragões, os demónios. Voam entre pássaros inferiores, que pousam neles e em todos os seres, quase insectos, oferecidos, impingidos. Mas no exterior parecem-se iguais. Demónios, dragões, e insectos, cada um no seu íntimo.
E, passada a paralisia corporal, sinto a entrar um fungo que me protegerá parte do cérebro desligando outra - a troca de uma paralisia por outra. Findado o momento de observação triste mas consciente, tudo parece mais escuro e barulhento, e o corpo levanta-se. Cobre-se com uma manta, escondendo a nudez muscular, e caminha de novo entre todos esses seres, vazio, com ar de cheio, para mergulhar de novo num oceano cheio de sereias, querendo nenhuma, bebendo apenas a água fogosa. Que a ânsia me deixe, que a inconsciência venha renovada, e que apenas uma conheça os meus olhos tristes com os quais nunca a olho.
Olá, gente deste mundo! Que a felicidade se espalhe, que continuem as celebrações!
Sem comentários:
Enviar um comentário