quinta-feira, 30 de maio de 2013

Seta do Tempo

A percepção do infinito,
um mito.
O tempo é tão opaco, a visão
não ultrapassa, apenas
um véu de desgraça.
Num futuro? Não acredito.
Mas lanças uma moeda.
Qual a face, qual o ganho,
qual a perda?
Seja esse o teu espanto,
quando a moeda cai a um canto,
mas não declara a sua queda.
Equilibra no meio,
como os teus sonhos,
desilusão.
Um jogo perdido,
mas não um jogo vão.
Como as faces da moeda
(sem queda, sem queda!)
a tua alma não enxerga,
não há cara, não há coroa,
que te ajude na visão.

Mas uma vidente aparece

para atender a tua prece, e te diz:
"Jovem acrobata do tempo,
tens de libertar o teu pensamento,
hás-de ser meu aprendiz.
Queres ver o amanhã,
mas apenas porque lhe tens medo.
Não tens confiança no tempo,
traiçoeiro, p'ra teu lamento,
e a esperança, uma má actriz.
Mas feliz de ignorante!
Levarás a tua avante
se considerares ser navegante,
saberás a tua fortuna,
numa runa no naufrágio."
"Mas terra firme pisarei
independentemente do sufrágio.
O destino não é eleito,
mas pensado, moldado, feito,
resultante no imprevisto.
Talvez seja melhor
nunca ver o amanhã
se não amanhã mesmo."

E a moeda afinal cai,
mas não há cara, não há coroa.
As faces por preencher,
desenhar o futuro, escolher,
e nos ecos do tempo
a tua escolha
ressoa.

Nada será esquecido.
Mas recordamos o passado,
não o futuro.

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