domingo, 13 de janeiro de 2013

A Grande Viagem

Não há vida nem morte, não há nada se não a percepção inconsciente de uma consciência. Não há mais que um voar eterno e passageiro pela escuridão colorida do espaço exterior, do vibrar das cordas de um piano, do vibrar das cordas de uma voz. Um martelar neurónio a neurónio que te abre portas a outras dimensões, roubando por momentos momentos de outras vidas, devolvendo o mais egoísta de ti ao universo. Não há mais que não esse belo momento em que vives, e vives sempre por um momento. Não há, não hás. Portanto apenas há, apenas hás. E como por tudo passas, pois passa por tudo a voar. Agarra os teus pés à Terra, abre as tuas asas e voa, leva a Terra contigo. Sente o arrepiar do ego, o prazer inconquistável que a cada momento conquistas. Sente os paradoxos que não precisam de uma explicação. Sente o inatingível, sente. Sente-te, sente todos, sente tudo. E vôa. Para sempre.

"Se consegues ouvir este murmúrio estás a morrer."
"Nunca disse que tinha medo de morrer."

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