Parecem faróis suspensos. Falamos de olhar para o passado, mas olhar o céu com atenção é um descortinar da história do Universo em milhares de milhões dos nossos próprios anos. Somos a nossa própria unidade de medida de tempo. Pequenos pontos de luz e outras radiações permitem-nos deduzir mais do que pensámos os deuses pensarem. Somos nós agora os deuses, estudamos o passado, conhecemos o presente, adivinhamos o futuro. Mas em tudo isso esquecemo-nos de nós próprios, pois seria impossível adivinhar o nosso próprio percurso, deuses-formigas, numa selva em que cada árvore e cada arbusto são separados pela imensidão do nada.
E olhamos o céu nocturno, para as bolas de fogo cuja luz demorou tanto a chegar-nos aos olhos. E olhamos o céu nocturno, e vemos químicos em reacções nucleares a produzirem o pó do qual nós mesmos fomos formados. E olhamos o céu nocturno, e não mais achamos ver magia e intenção. Mas o mistério, esse, nunca desaparecerá.
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