sexta-feira, 22 de março de 2013


Não fales. Guarda a palavra em ti até transbordares.

Quero-te corromper. Não há desejo tão escuro como a vontade de te corromper. Com os dedos no frágil pescoço, apenas para sentir o coração a bater, a respiração a aumentar. Segredar-te ao ouvido, transmitir-te pelo toque, e quando sob outros olhos, falar-te com o olhar.

Derreter o proibido, torná-lo fluído que corre selvagem por entre a civilização e a natureza, atraído a recantos escondidos e planícies abertas. Derreter o proibido, torná-lo fluído, e deixar-me encharcar nele. Exorcizar-te dos assombros, vendando a alma, imobilizando a consciência - permaneces pura, inocente. 
E quente, vaporizante.

E então, perder-me na tua corrupção, corrompido, excomungado da sanidade.

Mas não fales. Guarda a palavra em ti até te transbordares em mim.

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