quarta-feira, 10 de abril de 2013

E corre, tão forte e frágil, a correnteza dos pesos na consciência, dos pequenos enganos prazerosos, do toque momentâneo noutros mundos. Os nossos corpos flutuam, descendo esse rio em direcção às cascatas. E por vezes nadamos, recuamos perante o perigo iminente, mas não nos afastamos completamente. E de forma repetida colocamo-nos à prova, agarrando-nos a um ramo, olhando para a margem. É assim que provamos (ou tentamos provar) que em qualquer altura podemos regressar à segurança, secar a pele, sermos normais.

Mas o meu corpo pertence à água, fervilhante à tua presença. Não se pode dizer que cairei na cascata; digo antes que nadarei em direcção a ela. Um abismo natural cuja queda, se bem praticada, não matará. Que será um mergulho alto e profundo, mas voltarei à tona, inflado pela tua memória. E, claro, será um mergulho belo - mas apenas para mim, que o sinto, e para quem conhecer a sensação. Outro qualquer dirá, sem dar grande importância, que terá sido um salto triste, enfadonho, desajeitado - a beleza externa nos mergulhos não é o meu forte.

Mas a correnteza do tempo, o fluir de folhas flutuantes, arrancadas de árvores pelo teu sopro...

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