Mas sabes que estás longe do fim, aproximas-te apenas do início, e por ele procuras e anseias. Sabes que te diriges a casa apesar de te moveres contra o vento, resignado à mente perigosa. Se para sempre a vida acaba, que acabe em grande! Sentes a Terra quando lhe pousas a mão, as vibrações trepam-te os ossos até ao crânio, e sem som tu ouves os berros gemidos dos soterrados! Sim, deixa-te levar pelos abismos ardentes das masmorras mais profundas do Inferno, sabes que é lá que se encontra o Paraíso, nada fácil para o fraco.
Olha de novo para dentro, até te cegares, até novos olhos surgirem para que possas observar da forma realmente certa a decadência do mundo. Torna-os intemporais, na quente Primavera sê capaz de sentir os ventos uivantes do Inverno! Com mil lâminas te deparas, e contra elas marchas, sozinho, mas em vez de sangue é areia que cai, seca, fina. CAMINHA! Mais um passo, e outro passo, e nada mais importa!
E quando chegas ao fim das searas de metal vês um novo mundo. Os pântanos do fantástico! Crias que neles nada poderia crescer, mas vês agora os borbulhantes pântanos dos confins humanos, os vapores de poder, cada bolha que rebenta é uma potencial epopeia apocalíptica, um renascer, um despertar! Sentes os músculos apertarem num desejo ardente por essas sereias enlameadas, difusas na neblina opiácea! Criatura, como és capaz de tão rapidamente te vingares de ti mesmo, traindo-te, e como nisso te regozijas! És fogo, e queimas, e queimas-te, e és queimado. E uma flecha ardente sai do pântano em direcção ao pôr do sol carmesim, e tu gritas, de raiva, de prazer, de ódio, de amor, de tudo, e gritas, e gritas, até os pulmões secarem!
E abres os olhos para fora, e és apenas tu. A vil criatura continua enjaulada. (...)
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