E no teu caminho pelo trilho na montanha atravessa-se de repente uma fenda, extremamente funda, e do outro lado o trilho passa por trás de uma cascata, cuja fonte não imaginas pois o seu topo está tapado pelas nuvens. Mas consegues saltar para dentro da cascata, e continuar o teu caminho molhado - isto é, se o trilho realmente continua do outro lado, se não fores atirado para o fundo pelo peso da cascata, se aguentares cada memória trazida por ela.
Foi este o caminho que pediste, contudo. Algo que te testasse, e que te pudesse banhar um pouco na sensação de uma existência priveligiada. Dás uns passos atrás, e receias. E depois de uns passos de novo à frente saltas, e tudo em ti se apercebe do que acabas de fazer. Entregaste toda a tua vida, estás suspenso no espaço, no tempo, e quando essa suspensão acabar o próprio tempo em ti será decidido, talvez derradeiramente.
Estás pronto para mergulhar a cara no espelho de Pandora?
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