quarta-feira, 12 de junho de 2013

E quão bom é ver que não é preciso o dramatismo todo, que antes disso me agarro a uma rede cinzenta que na tristeza me permitirá, qual tarântula suicida, sentir as vibrações que estiveres disposta a enviar.

(07/07/2013) 

...

E apercebo-me. Estive mais vezes dentro da tua mente a explorar os recantos os quais abriste à minha passagem, os que me quiseste deixar ver. Estive mais vezes do que teria alguma vez assumido. Num presente semi-silencioso, em conversas que nem sempre precisaram de palavras. Mas escutei-te, e pensei ter ouvido vozes. Escutei-te, e pensei não o ter feito.

E apercebo-me, sempre tiveste razão. Talvez nunca devêssemos ter voltado a trocar um olhar, talvez nos devêssemos ter ficado pelas palavras inócuas, falsas, vazias se não de vontade de as encher.

Apenas dois actos não consegui fazer por ti, e talvez fosse um desses aquele de que mais precisavas. E talvez nunca o venha a saber.

Para tal, viro este espelho ao contrário, e o entrar nele torna-se sair. E não há um trilho atrás dele. Viveria para sempre contigo. Mas é a memória de ti que nele vive, não tu. Ainda mais apreço tenho por ti, rendido à realidade, do que pelo fantasma que te representa. Porque tu existes, o passado não. É o passado que me ama, é o passado em quem eu posso segurar contra mim.

Mas por ti, devo sair. Ir embora.

Saio do espelho.

Saio da cascata.

E a gravidade rapta-me para as profundezas do precipício.

E nem na morte vigilante o consigo aceitar.

Volta, olha para trás.


"Agarra-me se me vires a tempo..."

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