sábado, 15 de junho de 2013

Tornaste-te boa talhante espadachim. Com as lâminas em brasa esquartejaste o meu ser. O calor cauterizou as feridas, e não me mataste. Mas havias aquecido as lâminas no teu próprio fogo, negro e púrpura, com o teu veneno natural. E por isso, a cada corte, sentiste um corte mais pequeno em ti. E o meu sangue vaporizou em contacto com com as adagas, e respiraste os seus fumos. Mas nada disso te doeu. O que te doeu foi teres o metal infectado pelo meu ser, e virares o gume para ti, e satisfazeres o teu próprio gosto pela dor. E assim inadvertidamente me levaste para ti.

Mas, na tua virtude da multiplicidade de criaturas, pegaste no teu coração de elfo, o teu cabelo de ninfa rodou no ar atrás do teu corpo, e voaste com as tuas asas feéricas.

A tua passageira presença será cantada, mesmo que em silêncio.

E o esquartejado olhará para o céu todas as noites, esperando ver o teu reflexo na Lua.

Até um dia, pequena ninfa dos rios.

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